Londres, 5 out (EFE).- Peter Mandelson, ex-comissário de Comércio europeu, consultou seu amigo e aliado político, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, antes de aceitar a oferta do atual chefe do Governo, Gordon Brown, para voltar ao Executivo.

O novo ministro de Negócios admitiu hoje que Blair lhe disse que sua volta à política britânica era "algo para não ser pensado".

"Fiquei muito surpreso (com a oferta) e levei tempo para dizer 'sim', mas, no fim, me dei conta de que era a única coisa que poderia e deveria fazer", declarou o político trabalhista ao canal "Sky News".

Mandelson foi o nome mais inesperado e de maior destaque na reforma ministerial promovida por Brown na sexta-feira, com o objetivo de reforçar seu gabinete para fazer frente à crise financeira.

A volta do ex-comissário, figura polêmica e um dos criadores do Novo Trabalhismo que chegou ao poder em 1997, causou surpresa, já que, por supostos casos de corrupção, Mandelson renunciou duas vezes ao cargo de ministro quando fazia parte do Governo de Blair.

O retorno de Mandelson também parece pôr fim à longa rivalidade com o atual primeiro-ministro britânico.

A tensa relação entre ambos se remonta a 1994, quando o ex-comissário europeu decidiu apoiar Blair - e não Gordon Brown - como líder do Partido Trabalhista.

"Sou e sempre fui um membro da família trabalhista, e, quando os tempos se mostram difíceis, as famílias se unem. E isso é o que estamos fazendo", disse Mandelson neste domingo, quando elogiou seu novo chefe por ter "pulso firme".

O novo ministro de Negócios também minimizou os rumores que falam que um ministro se opôs à sua nomeação, enquanto outros ameaçaram renunciar caso não fosse nomeado um que apoiasse Blair.

"Todos somos agora parte da mesma equipe. É o que quer o partido e do que necessita o país", ressaltou Mandelson. EFE pa/fh/sc

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