Malvinas: Cristina diz que posição do R.Unido na ONU impede negociações

Buenos Aires, 2 abr (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, disse hoje que a permanência do Reino Unido no Conselho de Segurança da ONU impede a volta das negociações pela soberania das Malvinas.

EFE |

A guerra entre a Inglaterra e a Argentina pelo controle das ilhas completa 28 anos hoje.

"Só pelo fato de ter uma poltrona no Conselho de Segurança das Nações Unidas, (o Reino Unido) não respeita precisamente as resoluções das Nações Unidas", que exortam a retomada das negociações, disse a governante durante um ato na província da Terra do Fogo, no extremo sul do país.

Em 1965, o Comitê de Descolonização da ONU assinou uma resolução solicitando às partes a sentar-se em uma mesa de negociação, mas o Reino Unido se negou desde então a abrir uma discussão em torno da soberania do arquipélago, reivindicada pela Argentina.

Cristina insistiu que em seu Governo manterá as reivindicações de soberania "em todas as frentes" por via pacífica, para recuperar o domínio das ilhas, em mãos britânicas desde 1833.

A governante também agradeceu "a solidariedade" dos países latino-americanos e afirmou que "as grandes potências começaram a se interessar em ser mediadores para que se cumpram as resoluções internacionais".

A tensão entre a Argentina e o Reino Unido aumentou nos últimos tempos, após o início da atividades de prospecção petrolífera de empresas de capital britânico nas Malvinas.

Buenos Aires apresentou suas queixas perante a ONU e inclusive pediu à secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que encoraje um diálogo entre os dois países para discutir a soberania das ilhas.

O Governo argentino considera que essas operações petrolíferas violam sua soberania sobre o arquipélago e suas águas circundantes, e impôs restrições aos navios que partem de terra firme rumo à ilha.

Uma enquete da empresa da consultoria Poliarquia divulgada esta semana indica que 52% da população argentina segue com muito ou bastante interesse em notícias sobre as Malvinas, enquanto 3 entre cada 5 habitantes do país manifestam sua vontade de insistir diplomaticamente no retorno a soberania argentina.

Atos em comemoração aos 28 anos da Guerra das Malvinas se repetiram nesta sexta-feira por todo o país, com vigílias de ex-combatentes, mostras artísticas e musicais, entre outras atividades.

Além disso, um grupo de manifestantes marchará hoje à embaixada britânica em Buenos Aires em sinal de rejeição à decisão do Reino Unido de realizar explorações petrolíferas nas Malvinas.

Na guerra de 1982, que terminou com a derrota da Argentina, morreram 255 britânicos, três ilhéus e 649 argentinos. EFE ms/pb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG