Maliki pede a iraquianos que perdoem aliados de Saddam

BAGDÁ (Reuters) - O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, fortalecido pela queda da violência e em meio a uma busca nacional por unidade política, pediu aos iraquianos nesta sexta-feira que perdoem os aliados de Saddam Hussein. Nós precisamos nos reconciliar com aqueles que cometeram erros, que estavam obrigados, naqueles tempos difíceis, a ficar ao lado do antigo regime. Hoje eles são novamente filhos do Iraque, disse Maliki em um encontro com líderes tribais, em Bagdá.

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"Nós iremos nos reconciliar com eles, mas na condição de que eles voltem para nós e virem essa página negra da história do Iraque... O que aconteceu, aconteceu", ele disse.

O pedido veio cinco semanas depois das eleições provinciais de janeiro, nas quais os aliados de Maliki obtiveram vitórias expressivas no centro e no sul do Iraque.

O hoje premiê é xiita e foi membro da oposição no regime do sunita Saddam Hussein, durante o qual teve de fugir do país e foi condenado à morte no exílio.

Partidos de diversas tendências agora estão debatendo acordos para formar blocos de maioria nos conselhos provinciais iraquianos, de olho nas eleições nacionais do final do ano.

Apesar de a violência gerada pela invasão liderada pelos EUA em 2003 começar a diminuir em todo o país , uma reaproximação política parece mais difícil.

Muitos dos agentes que controlam a política do Iraque desde 2003 pareceram pouco dispostos a perdoar os assassinatos sectários de anos recentes. E desprezam também "feudos" estabelecidos há muito tempo sobre poder ou riquezas locais, muitos dos quais provêm do sistema estabelecido por Saddam para conceder privilégios e poder a seus companheiros sunitas.

O Iraque aprovou recentemente uma legislação para reverter o afastamento de membros do partido banido de Saddam, o Baath, instigado pelas autoridades norte-americanas após a invasão, em 2003. A decisão na época da invasão alimentou uma sangrenta insurgência dos sunitas.

Enquanto Maliki fala frequentemente da necessidade de reconciliação nacional, alguns queixam-se de que seu governo xiita está demorando muito para readmitir os membros do Baath.

Alguns rivais, incluindo a minoria curda do Iraque, temem que Maliki poderá se consolidar no poder, e o acusam de rumar para o autoritarismo.

(Reportagem de Khalid al-Ansary)

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