Maliki insiste em 2o mandato e dificulta aliança com bloco xiita

Por Suadad al Salhy BAGDÁ (Reuters) - A discordância em torno do segundo mandato para o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al Maliki, está complicando as negociações para uma aliança da sua coalizão com um bloco xiita ligado ao Irã, disseram nesta terça-feira fontes envolvidas no processo.

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A coalizão Estado de Direito, de Maliki, está negociando uma possível união com a Aliança Nacional Iraquiana, que inclui o clérigo antiamericano Moqtada al Sadr. A aliança resultante teria a maior bancada no próximo Parlamento.

A fusão entre os dois blocos pode isolar politicamente a coalizão Iraqiya, do ex-premiê Iyad Allawi, que recebeu a maior votação na eleição do dia 7 de março no Iraque. O eventual acordo entre os xiitas deve, portanto, irritar o eleitorado sunita e agravar a divisão sectária no país.

Fontes ligadas a Sadr dizem que o clérigo não aceitará a recondução de Maliki à chefia de governo, refletindo ressentimentos por causa da repressão do governo à milícia Exército Mehdi, de Sadr, em 2008.

"Há uma grande preocupação entre nós porque a Estado de Direito está insistindo em nomear Maliki como primeiro-ministro", disse um candidato da Aliança Nacional, pedindo anonimato.

Graças ao apoio de boa parte do eleitorado sunita, o bloco laico Iraqiya conquistou 91 cadeiras no Parlamento, 2 a mais do que a Estado de Direito. O resultado apertado prenuncia várias semanas de negociações difíceis para a formação de um novo governo.

A minoria sunita do Iraque se sente politicamente marginalizada desde a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003, que deu lugar a um governo comandado pela maioria xiita.

Fontes ligadas às negociações entre os xiitas dizem que o maior obstáculo a um acordo é como será escolhido o futuro primeiro-ministro. A Aliança Nacional quer a definição por meio de um acordo político, enquanto a Estado de Direito quer levar a questão a votação.

"Isso é inaceitável, porque eles têm 89 votos, e o candidato deles vai ganhar mesmo que eles indiquem um brinquedo", disse a fonte da Aliança Nacional.

Fontes da Estado de Direito afirmam ter demonstrado flexibilidade, mas que Maliki é o seu único candidato. "O primeiro-ministro não está insistindo em ser o candidato obrigatório antes do começo das negociações, mas é o único candidato da Estado de Direito", disse Ali al Alaq, líder do partido Dawa, que participa da coalizão.

A eventual fusão dos blocos xiitas levaria sua bancada para perto dos 163 deputados necessários para formar o governo.

Maliki fez concessões aos sadristas nos últimos dias, inclusive com uma oferta para libertar presos do grupo que estejam em penitenciárias iraquianas e norte-americanas.

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