Bagdá, 29 ago (EFE).- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e o titular da pasta de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, que está em Bagdá, analisaram neste sábado a crise diplomática entre Iraque e Síria, que na terça-feira chamaram seus respectivos embaixadores para consultas.

Após essa reunião, Mottaki, que chegou hoje em uma viagem surpresa, advertiu em entrevista coletiva conjunta com seu colega iraquiano, Hoshiyar Zebari, que "a consolidação ou a perda da estabilidade do Iraque tem efeitos diretos sobre todos os países vizinhos".

Há cinco dias, Iraque e Síria chamaram seus respectivos representantes diplomáticos para consultas depois que Bagdá pediu a extradição de dois dirigentes do Baath, partido de Saddam Hussein, residentes na Síria, acusados pelos atentados do último dia 19.

Os ataques deixaram 87 mortos e mais de mil feridos em Bagdá no que foi o pior massacre neste ano. Os atos foram reivindicados pela Al Qaeda.

Mottaki afirmou que sua visita também tem como objetivo manifestar a solidariedade de seu país com as famílias das vítimas.

"Esses ataques denotam o grau de maldade dos inimigos do Iraque e de sua manifestação democrática", opinou o chefe da diplomacia iraniana.

Por sua parte, Zebari esclareceu na mesma entrevista coletiva que o Irã é um país amigo, que não está exercendo nenhuma mediação entre Bagdá e Damasco, apesar de também falar sobre o conflito sírio-iraquiano durante sua conversa com Mottaki.

"O Iraque prosseguirá com suas negociações no Conselho de Segurança da ONU para a criação de um tribunal internacional que julgue os autores desses ataques", assegurou Zebari.

Já Maliki ressaltou hoje em comunicado emitido por seu gabinete que "os aterrorizantes crimes da quarta-feira sangrenta não nos farão desistir de nossa vontade de combater a aliança baathista-terrorista que planeja fazer o país retornar à ditadura, à discriminação e à marginalização". EFE ah/bba

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