Maliki declara guerra à corrupção e rejeita interferência estrangeira

Bagdá, 26 ago (EFE).- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, declarou hoje guerra contra a corrupção e pediu a colaboração de todos os cidadãos, enquanto rejeitou toda interferência estrangeira nos assuntos iraquianos.

EFE |

Em entrevista coletiva oferecida após uma conferência da tribo Akil, Maliki acusou vários partidos iraquianos, sem citar nomes, de servir aos interesses de outros países no Iraque.

"Respeitamos nossos vizinhos por serem vizinhos, em uma relação de irmandade porque não queremos estar isolados, mas eles devem respeitar a soberania e desejos do país e não interferir em nossos assuntos para que tenhamos uma relação equilibrada", acrescentou.

Ontem Síria e Iraque chamaram para consultas seus respectivos embaixadores e o Iraque acusou a Síria de abrigar membros do extinto partido de Saddam Hussein, o Baath, acusados de planejar os atentados que na semana passada mataram a 87 pessoas em Bagdá.

Graças à prisão de um dos suspeitos, foi descoberto que o motorista de um dos caminhões bomba conseguiu passar por um controle policial subornando os guardas com US$10 mil.

Ao lado do terrorismo, a corrupção é o principal foco de luta de Maliki.

"A espinha dorsal do terrorismo, as milícias e os criminosos foi rompida. Agora é hora de declarar guerra contra a corrupção política, administrativa e financeira para que a justiça e a eficácia sejam a bases para construir o Estado", disse, seu discurso, transmitido pelo canal estatal "Al Irakiya".

A Transparência Internacional (TI), organização independente com sede em Berlim que luta contra a corrupção no mundo, coloca o Iraque como o país mais corrupto do planeta, atrás apenas de Mianmar (uma ditadura militar) e Somália (considerado um Estado fracassado).

Haiti, Afeganistão e Sudão estão na frente do Iraque na classificação de 2008.

"Necessitamos gente sincera e honrada e por isso pedimos a todos que denunciem quando tenham provas de corrupção", disse Maliki.

Sobre o sectarismo e as divisões étnicas da sociedade iraquiana, Maliki afirmou que seu país está em direção de uma nova etapa, com as eleições que acontecem em janeiro.

"As eleições serão a última etapa da era do consenso no Iraque", disse se referindo ao fato de que nos pleitos anteriores a repartição do poder era confessional, coisa que não acontecerá nas eleições de janeiro.

"Necessitamos uma união nacional afastada do sectarismo e partidarismo", acrescentou.

O Iraque, de maioria xiita, abriga comunidades sunitas, curdas, turcomanas e cristãs. EFE nq-jrg/fk

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