Mali liberta 4 presos exigidos pela Al Qaeda em troca de refém francês

Bamaco, 22 fev (EFE).- Os quatro islamitas presos no Mali, cuja libertação era reivindicada pelo braço da Al Qaeda no Magrebe para não assassinar o refém francês Pierre Camatte, foram postos em liberdade, informaram à Agência Efe fontes do Governo do Mali em Bamaco (capital).

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Os quatro presos - dois argelinos, um mauritano e um de Burkina Fasso - tinham sido condenados na quinta-feira passada por um tribunal de Bamaco a nove meses de prisão por "posse ilegal de armas e de munição", uma pena que já tinham cumprido em prisão preventiva.

Todos eles tinham sido detidos no norte do país pouco depois do assassinato a tiros de um coronel do Exército malinês em sua casa de Tombuctu no início de junho passado.

Após o julgamento, eles estavam em situação jurídica de liberdade, pois já tinham cumprido nove meses em prisão, mas ainda não tinham sido libertados, uma decisão que dependia do Governo de Bamaco.

Em seu último comunicado divulgado na internet no início de fevereiro, a organização Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) tinha ameaçado matar Camatte se antes de 20 de fevereiro não fossem atendidas suas reivindicações, que incluíam a libertação dos quatros presos no Mali.

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, viajou em duas ocasiões à capital malinês onde se reuniu com o presidente do país, Amadou Toumani Touré.

Fontes oficiais do Mali indicaram que Kouchner pressionou reiteradamente Touré para a libertação dos presos, uma decisão extremamente complicada para o Mali e à qual se opunham frontalmente a Argélia e outras potências ocidentais como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

Além de Camatte - o primeiro estrangeiro sequestrado no Mali - o braço da Al Qaeda no Magrebe mantém em seu poder os voluntários espanhóis Alicia Gámez, Roque Pascual e Albert Vilalta, capturados em 29 de novembro na Mauritânia e levados ao norte do Mali.

Além disso, a AQMI sequestrou na Mauritânia em 17 de dezembro o italiano Sergio Cicala e sua mulher originária de Burkina Fasso, Philomene Kabouré, também levados ao norte de Mali.

Camatte se encontra em mãos da ala mais radical da AQMI liderada pelo argelino Abu Zeid, que em junho passado executou o refém britânico Edward Dyer, depois que, segundo os terroristas, Londres não atendeu suas exigências.

O ultimato de 20 de fevereiro sobre o francês era o segundo e "definitivo", de acordo com o comunicado da AQMI, para que Mali e França atendessem suas exigências.

Esse comunicado fixou também o prazo de até 1º de março para que fossem cumpridas suas reivindicações em troca dos reféns italianos, que incluíam a libertação de vários presos na Mauritânia, mas não mencionou os reféns espanhóis.

O partido do presidente mauritano Mohamed Ould Abdel Aziz, a União pela República (UPR), criticou a decisão do tribunal de libertar os quatro membros da AQMI. EFE ide/sa

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