Malásia abandona lei que restringiria viagens de mulheres desacompanhadas ao exterior

KUALA LUMPUR, Malásia - Nesta segunda-feira a Malásia eliminou a possibilidade de exigir que mulheres sejam obrigadas a mostrar uma carta de seus responsáveis explicando o motivo da viagem caso pretendam deixar o país desacompanhadas.

AP |

O Ministro do Exterior Rais Yatim propôs a medida durante o final de semana como uma forma de impedir o uso de mulheres do país como mulas no transporte de drogas, mas o plano atraiu críticas de grupos dos direitos das mulheres por ser repressivo e ineficiente.

O Ministro do Interior Syed Hamid Albar, que determina as regras finais da imigração e seria responsável por implementar o plano, deu fim ao debate nesta segunda-feira.

"Esse projeto não seria prático", disse Syed Hamid. "Como podemos exigir de um adulto que tenha autorização de seus pais? Eles têm que levar suas próprias vidas".

"Nós não discriminamos as mulheres. Se ela for uma adulta, terá direito de viajar para onde quiser", ele disse.

A proposta nasceu da preocupação com as estatísticas do governo que mostraram 119 locais - 90% mulheres - presos no exterior por crimes relacionados ao tráfico de drogas. A maioria entre 21 e 27 anos.

Os traficantes que querem enviar drogas para a União Européia recrutam na Malásia pois o país não precisa de visto para turistas.

Rais disse que muitas mulheres deixam o país sob o pretexto de trabalho ou estudo mas acabam levando drogas para cartéis internacionais. Ele disse que uma carta dos pais ou empregadores da mulher garantiria os motivos verdadeiros da viagem.

Grupos de defesa das mulheres dizem que a idéia é ridícula simplesmente porque as autoridades imigratórias não teriam como verificar se a carta é autêntica. Além disso, seria uma infração aos direitos humanos.

Syed Hamid, ex-ministro do Exterior, afirmou que o governo irá tentar implementar programas de conscientização para evitar que as mulheres sejam usadas como mulas.

"Nós precisamos criar conscientização para que elas não sejam atraídas por ofertas de dinheiro a menos que saibam de onde ele vem", disse.

    Leia tudo sobre: malásia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG