As pesquisas de boca de urna nas eleições de novo líder do Kadima, partido centrista e majoritário no Parlamento, indicam vitória de Tzipi Livni, a atual ministra de Relações Exteriores. Confirmados os resultados na contagem dos votos, que serão conhecidos na manhã de quinta-feira, conquista o direito de formar novo governo e ser a primeira-ministra de Israel, a segunda mulher em 60 anos a chegar tão alto na hierarquia política do país. A primeira foi Golda Meir, em princípios dos anos 1970, do século passado.

Tzipi Livni, 50 anos de idade, foi bem-sucedida advogada, entrou na política e teve rápida ascensão. É casada e mãe de dois filhos, mas sua vida privada jamais entra no noticiário, o que é tradição israelense. Talvez seja a mais alta dos atuais ministros e membros do Parlamento. Praticou o basquete na juventude. Teria sido agente do Mossad, o famoso e temido serviço secreto israelense no exterior, mas é algo que não se comenta.

As eleições primárias do Kadima foram realizadas para substituir Ehud Olmert, atual primeiro-ministro, que deixa seu cargo sob pressões de investigações policiais sobre ações supostamente praticadas em fins do século passado. A polícia afirma ter provas para que ele seja processado por diferentes supostos crimes, que incluem corrupção. A legislação israelense relativa a servidores públicos é muito rigorosa e especifica o inaceitável.

Para um brasileiro, foi difícil absorver o espetáculo de policiais especializados indo várias vezes à residência do chefe de governo para submetê-lo a longas horas de interrogatório, ação que adota sem prévia consulta a nenhuma outra autoridade.

O penúltimo presidente deixou a função sob a acusação de assédio sexual de uma secretária. Ele fez um acordo com a Promotoria, pelo qual se afastava para evitar processo no qual poderia ser condenado à prisão.

Israel não é país de anjos. Há de tudo, mas a Justiça é implacável e indiferente a quem é quem. Há poucos meses condenou à prisão um dos mais ricos banqueiros, acusado de assédio. A confiança popular no Judiciário e na Lei é o principal sustentáculo da democracia.

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