Mais soldados e dinheiro melhoram situação em Bagdá

As ruas de Bagdá estão voltando à vida com mais comércio nas lojas, mercados e casas de chá e até um aumento no preço dos imóveis da capital iraquiana. Segundo um agente imobiliário da cidade, os preços de imóveis dobraram nos últimos quatro meses.

BBC Brasil |

As pessoas também estão mais confiantes.

Mas, apesar destas mudanças, principalmente no setor de segurança da cidade, as melhorias ainda são frágeis e reversíveis.

As autoridades americanas admitem que comentários a respeito de evolução em relação à situação em Bagdá são prematuros.

Um importante relatório do Congresso americano, divulgado em junho, declarou que o ambiente de segurança no Iraque "continua volátil e perigoso".

Mas não é tão volátil e perigoso como era nesta mesma época em 2007.

Nova estratégia
Grande parte do crédito para a melhora na situação sem dúvida se deve ao aumento das forças americanas, que começou nos primeiros meses de 2007.

Mas, não foi simplesmente a força americana que fez a diferença. O comandante das forças militares dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, adotou uma nova estratégia.

Em algumas das frases do "Guia do Comandante para Contra-insurgência" pode-se ler: "Sirva a população: dê a eles respeito: ganhe o apoio deles".

Ou então: "Viva entre as pessoas: você não pode viajar diariamente para esta luta". "Caminhe: pare, não passe de carro; patrulhe a pé e envolva a população."
Isto é que os americanos têm tentado fazer e parece estar funcionando.

De seu ponto máximo no ano passado, quando incidentes relacionados à segurança ocorriam em uma taxa bem acima dos mil por semana, está ocorrendo uma queda até o ponto mais baixo dos últimos quatro anos, segundo os americanos.

Dinheiro
A estratégia dos Estados Unidos não se resume a colocar mais soldados entre os iraquianos, os americanos também investiram mais dinheiro no Iraque.

Uma reportagem exibida pelo programa Panorama da BBC mostrou que grandes quantidades deste investimento parecem ter desaparecido nos bolsos de autoridades corruptas e companhias sem escrúpulos.

Mas grandes quantidades de dinheiro estão chegando a lojas e pequenos negócios, como pequenos subsídios distribuídos por comandantes americanos locais.

Por exemplo, em uma rua de comércio no oeste de Bagdá, cada loja recebeu US$ 2,5 mil para melhorias básicas.

Os americanos também estão pagando forças de defesa de bairro, os chamados Filhos do Iraque, que ofereceram emprego e salários e, com isso, afastaram muitos da tentação de se juntarem a grupos de milícia.

No total, apenas em uma rua principal, os americanos afirmam ter investido US$ 750 mil.

Forças iraquianas
Este tipo de iniciativa local, repetida muitas vezes, mais o lento processo de reconciliação política, a melhoria na eficácia das Forças Armadas iraquianas e o cauteloso comprometimento de companhias de fora na economia iraquiana (principalmente na indústria petrolífera) está começando a mostrar seus efeitos.

Nos dias terríveis de 2005 e até 2007 era possível ouvir bombas quase todos os dias de dentro dos escritórios da BBC em Bagdá, do lado de fora da Zona Verde (área mais segura da capital iraquiana, onde ficam prédios oficiais), explodindo em partes diferentes da cidade.

É possível afirmar que Bagdá, no meio de 2008, é um lugar onde finalmente existe um esboço de esperança no futuro.

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