DUBLIN (Reuters) - Mais dois bispos irlandeses afirmaram que irão renunciar a seus cargos, elevando para quatro o número de religiosos que deixaram a Igreja Católica após a publicação de um relatório sobre a prática de pedofilia por padres. Eamonn Walsh e Raymond Field, os únicos bispos auxiliares da arquidiocese de Dublin, disseram que informaram o arcebispo Diarmuid Martin de sua decisão.

"Esperamos que nossas ações possam ajudar a levar a paz e a reconciliação de Jesus Cristo às vítimas/sobreviventes do abuso sexual infantil. Novamente, pedimos desculpas a eles", disseram os bispos em comunicado divulgado na quinta-feira.

Ambos afirmaram que o relatório mostra que não fizeram nada de errado, como também fez o bispo Jim Moriarty, que renunciou na quarta-feira.

Moriarty admitiu que deveria ter enfrentado a "cultura prevalente" que permitiu a prática de atos criminosos contra crianças.

O bispo Donal Murray foi o primeiro a renunciar, na semana passada, desde a publicação do relatório, segundo o qual religiosos na Irlanda, país majoritariamente católico, haviam encoberto a ampla prática de pedofilia por padres nos últimos 30 anos.

Segundo o documento, divulgado em 26 de novembro, a arquidiocese estaria mais preocupada em proteger a reputação da Igreja que as crianças e havia escondido "obsessivamente" abusos cometidos entre 1974 e 2004.

Walsh é bispo auxiliar da arquidiocese de Dublin desde 1991. Já Field está no cargo desde 1997.

(Reportagem de Padraic Halpin)

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