Mais de 98 mil civis morreram no Iraque desde 2003, diz estudo

BAGDÁ - A violência sectária caiu drasticamente no Iraque em relação aos níveis de 2006-2007, mas os ataques contra as forças dos Estados Unidos e do governo local continuam e também causam a morte de civis iraquianos, revelou um novo estudo divulgado neste sábado.

Reuters |

Em 2008, pelo menos de 8.300 a 9.000 civis foram mortos no Iraque, elevando para 98.400 o número total de mortes de civis desde a invasão liderada pelos EUA, em 2003, afirmou em um novo relatório a entidade de defesa dos direitos humanos Iraq Body Count.

Vinte e cinco civis morreram por dia em 2008, constatou o estudo. Embora essas cifras estejam bem abaixo das de 2006-2007, quando pelo menos 48.000 civis foram mortos, são comparáveis aos números do período de violência em 2003-2004.

"A primeira coisa é que houve um decréscimo muito, muito significativo nas mortes violentas no último ano, e essa redução foi maior em Bagdá", disse John Sloboda, co-fundador e porta-voz da entidade.

Ainda assim, "ninguém estava dizendo em 2004 que os níveis de violência eram aceitáveis. As pessoas falavam de um país em declínio terrível. Agora, só houve uma melhoria em relação ao chocante pico de violência em 2006 e 2007", disse ele.

A entidade recolhe os números de mortos divulgadas pela imprensa e outras fontes, mas reconhece que o saldo real de vítimas em mais de cinco anos de guerra no Iraque pode ser bem mais alto.

Sloboda disse que a queda na violência em 2008 reflete uma decréscimo nas mortes sectárias ou "intercomunais", que haviam aumentado enormemente em decorrência do conflito entre a minoria árabe sunita e a maioria árabe xiita depois do atentado contra um santuário xiita em fevereiro de 2006.

Para estancar a violência, os EUA enviaram mais dezenas de milhares de soldados ao Iraque em 2007, fato que o governo de George W. Bush considerou ter sido o grande motivo da melhoria da segurança.

Outros argumentam que o recente apoio dos líderes tribais sunitas ajudou ou afirmam que a violência caiu depois que a cidade de Bagdá sofreu ampla reorganização, passando a ter áreas exclusivas para cada seita.

Sloboda disse que prosseguem os ataques contra as forças dos EUA e de outros países, contra a polícia, os soldados e autoridades iraquianas, além dos membros das patrulhas locais, normalmente formadas por ex-insurgentes.

"Como a violência é na realidade contra a ocupação, é improvável que caia enquanto a ocupação continuar", disse ele.

As sombrias estimativas surgem no momento em que os EUA se preparam para reduzir suas tropas no Iraque, hoje integradas por 143.000 soldados, e restringir suas operações antes de 2012, o prazo final estabelecido para a retirada.

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, planeja remover tropas dentro de 16 meses.

Desde 2003, mais de 4.200 soldados norte-americanos e mais de 175 britânicos morreram no Iraque.

O estudo revela que as mortes de civis iraquianos nas quais estão envolvidas forças estrangeiras chegaram a 584 em 2008, enquanto em 2007 eram de 1.359.

(Missy Ryan)

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