Mais de 90 mortos em ataque tribal no Sudão

Cartum, 21 set (EFE).- Cerca de 90 pessoas morreram durante um ataque promovido por um grupo de homens armados a uma aldeia, no que parece ser uma disputa tribal, do sul do Sudão, informaram hoje fontes oficiais.

EFE |

O ataque ocorreu na madrugada de domingo contra os escritórios da administração local de Dok Badiet, na província de Yonklei, dentro da jurisdição do Governo autônomo do sul do Sudão.

Segundo disse à agência Efe Jim Mesiu, um dos porta-vozes do Ministério do Exército do Governo autônomo do Sul do Sudão, além dos mortos, há dezenas de feridos.

A fonte oficial acrescentou que o Exército enviou reforços à área para perseguir os criminosos.

O ataque foi executado por membros da tribo de Al Nuer, a segunda mais importante da região e que se dedica ao pastoreio. Na aldeia atacada moram integrantes da tribo rival Dinka.

Aparentemente, segundo um comunicado anterior assinado pelo porta-voz militar dessa região, general Kol Dim Kol, os homens armados chegaram a superar a unidade dos milicianos, mas vários soldados fugiram temendo a própria morte.

Segundo o general Kol, o grupo de agressores é o mesmo que em 28 de agosto lançou uma ação parecida contra a aldeia de Werniul, com 40 mortos e 64 feridos.

Em 2 de agosto, em outra aldeia da zona, em Mareng, 171 pessoas morreram, a maioria delas mulheres e crianças, por um ataque de membros da tribo Murly. Nessa ocasião, as vítimas foram integrantes da tribo Al Nuer.

Os grupos armados da tribo Al Nuer reagiram com grande violência diante da campanha desenvolvida em 2006 que buscava desarmar as milícias irregulares. Muitos dos pastores que cuidam o gado na zona carregam armas longas.

O sul do Sudão é uma região autônoma administrada pelo Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) desde que foram assinados os acordos de paz, em 9 de janeiro de 2005.

Neste ano, morreram no sul do Sudão mais de 2 mil pessoas em uma série de enfrentamentos tribais, e outras 250 mil foram obrigadas a abandonar as suas casas.

Dirigentes do Governo autônomo do sul do Sudão acusam o Governo de Cartum, liderado pelo presidente Omar al-Bashir, de fornecer armamentos às tribos e fomentar conflitos para gerar o caos na região antes das eleições do próximo ano.

O Governo de Bashir, no entanto, nega as acusações.

Os habitantes do sul do Sudão participarão em 2011 em um plebiscito para decidir se querem ser independentes. EFE az-aj-ag/dm

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