Mais de 80 crianças e professores morrem em desabamento de escola no Haiti

Pelo menos 82 crianças e professores morreram sexta-feira no desabamento de uma escola de 700 alunos em um bairro pobre de Pétion-ville, perto de Porto Príncipe, no Haiti, e os socorristas tentavam neste sábado encontrar sobreviventes entre os escombros.

AFP |

O chefe da Missão das Nações Unidas pela estabilização do Haiti (Minustah), Hedi Annabi, que chegou na manhã deste sábado ao local para participar da coordenação dos socorros, considerou necessário o envio rápido de equipamentos para resgatar eventuais sobreviventes.

"Todos estão tentando contribuir aos esforços para socorrer estas pessoas. Todo o material da ONU pode ser utilizado, mas precisamos de funcionários e equipamentos especializados para evitar mortes suplementares", declarou.

"Duas crianças de sete anos, um menino e uma menina, foram salvos. Um deles foi operado com sucesso", relatou na manhã deste sábado à AFP Nadia Lochard, do escritório da proteção civil haitiana. "Tememos que muitas outras crianças ainda estejam presas sob os escombros", acrescentou.

"Encontramos hoje de manhã uma turma de 21 alunos e o professor. Todos estavam mortos", lamentou, por sua vez, o presidente haitiano, René Préval, que se deslocou na manhã deste sábado ao local da tragédia para supervisionar as operações de resgate.

"Não podemos estabelecer um balanço definitivo, pois o trabalho (de resgate) ainda não terminou", ressaltou.

Mais cedo, a proteção civil informara que três novos corpos haviam sido retirados dos escombros.

O balanço divulgado anteriormente pela proteção civil mencionava 58 mortos, em maioria crianças, e 107 feridos.

A escola particular "La Promesse" era freqüentada por crianças e adolescentes de 3 a 20 anos, a maioria deles procedente de uma favela, e era dirigida por um pastor evangélico. Espremido entre as casas do bairro, o edifício tinha dois andares, e um terceiro estava em construção.

"O que aconteceu foi o resultado da instabilidade e da desordem no Estado do Haiti", denunciou o presidente Préval. "As medidas tomadas por um governo não são respeitadas pelo seguinte. Não havia ferro e cimento o suficiente nesta construção, ela não tinha sido concebida para receber tantas pessoas", lamentou.

"Esta construção não era adequada às normas. Vamos pedir ao ministério da Educação que faça uma inspeção de todas as escolas construídas nas mesmas condições", declarara sexta-feira à AFP o senador Yvon Bissereth, responsável pela comissão Educação no Parlamento.

Equipes de socorristas da ONU, da Cruz Vermelha, da organização Médicos Sem Fronteiras e da polícia haitiana trabalharam a noite toda para tentar resgatar sobreviventes presos sob os escombros. Famílias desesperadas tentavam ajudá-las cavando o solo com as mãos.

Uma equipe de bombeiros franceses da ilha da Martinica chegou durante a madrugada para ajudar na busca por sobreviventes, e socorristas americanos e canadenses eram esperados neste sábado em Porto Príncipe, segundo a proteção civil.

"Quinze bombeiros acompanhados de cães farejadores deixaram Fort-de-France sexta-feira às 21H30 locais a bordo de um avião militar para ajudar nas operações de resgate", informou a prefeitura da Martinica, ressaltando que a missão durará no mínimo cinco dias. "Os bombeiros franceses estão trabalhando em condições muito difíceis para evitar novos acidentes", disse Préval.

A Agência americana para o desenvolvimento internacional (USAID) enviou 38 socorristas e trabalhadores humanitários, junto com 14 toneladas de equipamentos.

cre/yw

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