Mais de 80 civis mortos em ataque aéreo do exército no Iêmen

Mais de 80 civis, entre eles mulheres e crianças, foram mortos em um ataque aéreo em um campo improvisado de desabrigados no norte do Iêmen, onde violentos combates opõem há mais de um mês a tropa e rebelião xiita, indicaram nesta quinta-feira testemunhas.

AFP |

A rebelião dos zaidistas xiitas, em conflito com o poder desde 2004, denunciou "um novo massacre cometido pelo poder sanguinário".

Uma fonte oficial iemenita, entrevistada pela AFP, se negou a confirmar o saldo, limitando-se a indicar que um avião visou quarta-feira rebeldes que abriram fogo em meio a civis.

Uma fonte militar, citada pelo site do ministério da Defesa, anunciou nesta quinta-feira a criação de uma comissão de investigação para garantir a veracidade das informações sobre o bombardeio de civis em Adi, na província de Omrane, ao sul da região de Saada.

Esta é a primeira vez que um grande número de civis é morto nesta ofensiva, que começou em 11 de agosto entre o exército e os rebeldes entrincheirados em seu reduto da região de Saada, fronteira da Arábia Saudita, e situado a 240km ao norte da capital Sanaa.

As vítimas foram enterradas quinta-feira em uma vala comum perto do ataque, indicaram fontes tribais, que não sabiam dizer o número de sepulturas, pois alguns corpos estavam em pedaços.

Segundo várias testemunhas, um avião de combate visou às famílias que tinham fugido e que se refugiaram em um vale em Adi.

Na véspera deste ataque, os rebeldes haviam se declarado prontos a um cessar fogo incondicional em uma carta ao secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, enquanto o governo de Sanaa exige que eles se curvem a seis condições, entre elas o desarmamento, antes de deter a ofensiva.

Na terça-feira, a ONU e o Comitê internacional da Cruz Vermelha pediram a abertura o mais rápido possível de um corredor humano seguro com acesso para milhares de habitantes da região de Saada, surpreendidos pelo combate.

Segundo as Nações Unidas, quase 150.000 pessoas foram deslocadas no norte do Iêmen desde 2004, das quais 55.000 desde 11 de agosto.

O poder do presidente Ali Abdallah Salah acusou a rebelião de ser apoiada por algumas partes no Irã e de querer restabelecer o zaidismo no país, o que os rebeldes desmentem.

bur/at/lm

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