Mais de 700 soldados estrangeiros morrem em 2010 no Afeganistão

Cerca de 1.200 civis foram mortos durante os seis primeiros meses deste ano, 25% a mais do que em 2009

AFP |

O número de soldados mortos da coalizão internacional no Afeganistão desde 1º de janeiro de 2010 ultrapassou a marca dos 700, segundo um cálculo da AFP com base nas informações do site independente icasualties.org . Este já é o ano mais letal desde o início do conflito em 2001.

De acordo com o site, desde o começo do ano até 21 de dezembro, as tropas da coalizão internacional encabeçada pelos Estados Unidos no Afeganistão - incluindo o contingente da Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf), coordenada pela Otan - perderam 702 homens.

O ano de 2009, com 521 baixas fatais, havia sido o mais sangrento para as forças internacionais, que há três anos enfrentam uma intensificação da insurreição dos talibãs. Este ano, entretanto, já superou o recorde do ano anterior. Em 2010, pelo menos dois soldados estrangeiros perderam a vida por dia no Afeganistão.

A maioria dos mortos são soldados americanos, que constituem aproximadamente dois terços dos 140.000 homens da coalizão. O exército dos Estados Unidos já perdeu 493 militares no Afeganistão este ano, de um total de 1.440 desde 2001, segundo o icasualties.org.

Ao todo, guerra em território afegão já provocou 2.271 baixas fatais entre as tropas da coalizão desde 2001. O exército britânico, que mantém 9.500 homens no Afeganistão, perdeu 101 soldados em 2010; 346 desde 2001. A França, que conta com 3.850 homens no conflito, perdeu 52 soldados desde 2001. Os dois últimos morreram em operações no final de semana.

Nas tropas americanas, o balanço anual de baixas é uma curva ascendente, com 60 mortos em 2004, 131 em 2005, 191 em 2006, 232 em 2007, 295 em 2008 e 521 em 2009.

O número de soldados que morrem atualmente no Afeganistão é comparável ao dos meses mais violentos da guerra do Iraque, entre abril e junho de 2007. Na época, os Estados Unidos enviou reforços ao Iraque e estabeleceu uma estratégia contra a insurreição, parecida com a que foi ordenada pelo presidente americano Barack Obama no fim de 2009, quando enviou mais 30.000 soldados ao Afeganistão.

Civis

Os civis, no entanto, continuam sendo as maiores vítimas do conflito. Milhares de afegãos já morreram atingidos por bombardeios aéreos da Otan ou em atentados suicidas perpetrados pelos insurgentes contra tropas estrangeiras e forças de segurança afegãs.

Segundo a ONU, mais de 1.200 civis foram mortos durante os seis primeiros meses deste ano, 25% a mais que no primeiro semestre de 2009, enquanto 1.997 ficaram feridos.

Cerca de 60% dos americanos acha que esta guerra já não vale a pena, segundo pesquisa de meados de dezembro. Os Estados Unidos asseguram ter progredido frente aos insurgentes nos últimos meses e planeja a retirada de suas tropas no Afeganistão para meados de 2011, enquanto que a Otan visa a transferir a responsabilidade da segurança do país para as forças afegãs em 2014.

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