Mais de 700 palestinos enfrentam péssimas condições no Iraque

Londres, 1 mai (EFE) - Pelo menos 729 refugiados palestinos foragidos do Iraque estavam no início de abril em condições deploráveis em um acampamento na fronteira entre o país e a Síria, segundo um relatório da Anistia Internacional (AI).

EFE |

O acampamento de Al-Tanf, situado entre um muro de concreto e a estrada principal que liga Bagdá a Damasco, é seco e com muita poeira, e as temperaturas são extremas tanto no verão - acima de 50 graus Celsius - quanto no inverno - abaixo de zero.

O risco está em todas as partes, principalmente para as crianças, já que o local está infestado de escorpiões e serpentes, e as tendas de campanha que servem de salas de aula não estão protegidas do tráfego da estrada.

As estufas e cozinhas causam incêndios com freqüência e o fogo já destruiu 42 tendas de campanha, explicaram à AI os refugiados.

O acampamento foi estabelecido em maio de 2006, quando um grupo de 389 palestinos que fugiam da perseguição no Iraque foi à Síria, mas acabou sendo rejeitado pelo país.

As autoridades sírias permitiram a entrada de mais de um milhão de refugiados do Iraque, mas não aceitam bem palestinos, denuncia a Anistia Internacional.

O acampamento continua crescendo à medida em que as forças de segurança sírias vão descobrindo alguns dos cerca de 4 mil palestinos que utilizaram passaportes falsos para entrar no país e os deportam em número cada vez maior à fronteira.

Os direitos humanos dos refugiados palestinos no Iraque são freqüentemente desrespeitados desde a invasão dos Estados Unidos ao país, em março de 2003, denuncia a AI.

Eles sofreram ameaças, seqüestros, torturas e até foram assassinados por grupos armados das milícias xiitas, em particular do Exército de Mahdi, seguidores do clérigo radical Moqtada al-Sadr, mas também são muitas vezes vítimas das forças do Governo iraquiano.

Os corpos dos seqüestrados aparecem muitas vezes gravemente mutilados ou com marcas claras de torturas.

Os palestinos são perseguidos tanto por sua origem étnica quanto pela percepção generalizada de que foram bem tratados durante o de Saddam Hussein.

Em conseqüência da perseguição de que são alvo, milhares deles fugiram de suas casas, em sua maioria de Bagdá, após ter sofrido abusos ou ameaças de morte.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), desde 2003 o número de palestinos que vivem no Iraque se reduziu de 34 mil para cerca de 15 mil.

A Acnur considera os palestinos, sobretudo os que moram nesse acampamento na fronteira sírio-iraquiana, como os mais vulneráveis entre os dois milhões de refugiados que fugiram do conflito iraquiano. EFE jr/db

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