ASSUNÇÃO - Acompanhada por centenas de observadores internacionais, as eleições paraguaias transcorreram com poucos incidentes, segundo a Corte Eleitoral do País. Os cerca de 2,8 milhões de eleitores votaram neste domingo para presidente, governadores e suas respectivas juntas, senadores e deputados. No total, serão preenchidos mais de 700 cargos.

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    Na disputa pelo principal cargo em jogo, o de presidente, o ex-bispo católico Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança, ameaça a primazia do Partido Colorado, no poder há mais de 60 anos.

    A maioria das pesquisas de intenção de voto sugere que Lugo passará à frente da candidata colorada, Blanca Ovelar, a primeira mulher a candidatar-se à presidência, e do general da reserva Lino Oviedo. Mas muitos analistas dizem que a disputa é apertada demais para que se possam fazer previsões certeiras.

    Se Lugo de fato vencer as eleições deste domingo, todos os países do Mercosul passarão a ser governados por presidentes de esquerda: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além das nações associadas Chile e Bolívia e da Venezuela, atualmente em processo de ingresso como membro pleno.

    Candidatos votam

    Neste domingo, Lugo foi o primeiro dos candidatos a votar, em uma mesa eleitoral da escola Talavera Ritcher, nas cercanias de Assunção, apenas 11 minutos depois da abertura oficial da votação. O ex-bispo - que foi votar a pé, acompanhado pela presidente da associação argentina Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini - depositou seu voto na urna e mostrou à imprensa o dedo sujo de tinta, prova de que já havia participado da votação.

    Já Blanca Ovelar, que é ex-ministra da Educação do atual presidente Nicanor Duarte, votou sorridente no colégio Vicente Iturbe, na capital Assunção. Oviedo, por sua vez, compareceu à mesa eleitoral do colégio Alvarin Romero, também na capital, acompanhado por sua filha.

    Dezenas de observadores internacionais estão acompanhando a eleição para verificar quaisquer sinais de fraude no pleito do Paraguai. O longo histórico do País de ditaduras, complôs e tentativas de golpe é o principal motivo para explicar a presença de tantos observadores, incluindo os enviados da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES), cuja missão é liderada pelo ex-presidente colombiano Andrés Pastrana.

    Apesar da preocupação dos observadores, os três principais candidatos à presidência no Paraguai afirmaram neste domingo que vão respeitar o resultado eleitoral, seja ele qual for. "Hoje é um dia histórico, um dia democrático que temos que respeitar", disse Lugo pouco depois de votar.

    Oviedo pediu aos eleitores que votem e recebam o resultado com a "paciência paraguaia". Já Blanca Ovelar declarou, hoje é um dia especial, no qual graças à democracia, somos todos iguais. E essa democracia deve ser respeitada".

    Os jornalistas locais voltaram a perguntar a Ovelar sobre a legitimidade de sua candidatura, questionada pelo ex-vice-presidente da República, Luis Castiglioni, que disse ter sido derrotado por fraude na interna do partido que está há 61 anos, ininterruptos, no poder. Reitero, venci de forma legitima", afirmou Ovelar.

    Mas apesar destas declarações dos presidenciáveis, o vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Juan Manuel Morales, não descartou que representantes da candidatura de Lugo peçam a recontagem dos votos.

    A votação foi encerrada por volta das 16h (horário local) e o candidato que receber mais votos ganhará. Não haverá segundo turno.

    Incidentes

    Quase cinco horas após a abertura das urnas, às sete da manhã, foram registrados incidentes isolados no País. Um jovem foi preso com um punhal no colégio República Dominicana de Fernando de La Mora, em Assunção, onde Lugo acompanhava a votação de seu candidato a vice, Federico Franco.

    Segundo o jornal Última Hora, em sua edição online, o jovem teria alegado que estava armado para "defender o ex-bispo dos insultos dos colorados", os seguidores do Partido Colorado. Ali, alguns eleitores vaiaram o presidenciável. "As vaias dos colorados fazem parte do processo democrático", disse Lugo.

    Na noite da véspera, eleitores "colorados" entraram numa igreja, onde era realizada uma missa, e gritaram contra seguidores do ex-bispo.

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