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Mais de 70 países democratização da ONU

Miguel Cabanillas. Roma, 5 fev (EFE).- Delegações de mais de 70 países reuniram-se hoje em Roma para exigir democratização do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), às vésperas das negociações por sua reforma, que começarão em 19 de fevereiro, em Nova York, com maior rotatividade em vez de mais membros permanentes.

EFE |

A reunião, organizada pelo Governo italiano, atual presidente rotativo do G8, contou com a presença de 21 ministros de Relações Exteriores de todos os continentes, entre os quais o espanhol Miguel Ángel Moratinos pediu "consenso" para reformar o organismo.

"O que queremos é ampliar os mandatos e o tempo de representação dos membros não-permanentes, que haja mais rotatividade, mas que ela se faça com uma maior continuidade", disse Moratinos à imprensa espanhola na saída da reunião.

"E, depois, temos esse pedido que grupos regionais como a União Europeia (UE) e a Liga Árabe tenham representação", afirmou o ministro, expressando a intenção espanhola de que a África tenha uma presença maior no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A reunião das delegações de Relações Exteriores de hoje terminou com a exigência do consenso "mais amplo possível" e de uma maior representatividade no Conselho de Segurança de todos os Estados que fazem parte da Assembleia Geral da ONU.

O "Conselho de Segurança deve representar todos os países da Assembleia Geral e deve representar todas as regiões do mundo", disse o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, durante a leitura das conclusões do encontro.

Para o italiano, "um continente fundamental como a África está sub-representado" no Conselho de Segurança da ONU.

Ele também pediu maior responsabilidade e transparência, aos membros do organismo da ONU, responsável por manter a paz e a segurança no mundo.

"Houve uma chamada geral do continente africano. A África não tem nenhum membro permanente no Conselho de Segurança. Na Espanha estamos muito comprometidos com a luta contra a fome e a presença africana", disse, por sua vez, Moratinos, lembrando que "80% de assuntos que se tratam em Nações Unidas são da África".

A reunião de hoje em Roma foi colocada como um parecer de vários países pela reforma da ONU, embora suas posturas sigam estando "abertas" para escutar outras propostas.

"Estamos em um início de debate e de reflexão. Não excluímos, e respeitamos a posição que possa ter Brasil, Alemanha, Japão ou Índia", países que lutam por um posto permanente neste organismo da ONU, categoria que já possuem França, China, Estados Unidos, Rússia e Reino Unido, disse Moratinos.

"Compreendemos a legitimidade que têm todos eles de pretender um assento permanente, mas Espanha também tem a legitimidade de pedir uma reforma que seja mais eficaz. O que não podemos é repetir uma estrutura do século 20 quando estamos no início do 21", apontou.

Nesta linha, os participantes da reunião em Roma pediram um maior tempo de representação e uma maior rotação dos membros não-permanentes do Conselho de Segurança, em vez da ampliação de seus membros permanentes, objetivo muito pouco realista, segundo algumas das delegações presentes.

"O que fez a diplomacia italiana, em colaboração com a espanhola e a de outros países importantes, é seguir reivindicando com urgência a reforma das Nações Unidas, que é um pilar político e de segurança que necessita se adaptar às mudanças" da sociedade internacional, comentou Moratinos.

Os países reunidos hoje em Roma decidiram propor a entrada de organizações regionais como a União Africana (UA) ou a Liga Árabe no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Durante a reunião foi cogitado, inclusive, um encontro entre representantes destas e de outras organizações regionais, exclusivamente dedicado à sua participação na ONU. EFE mcs/jp

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