Mais de 630 mortos desde o início da ofensiva israelense em Gaza

A ofensiva israelense, que entrou no seu 11º dia, já provocou a morte de mais de 630 palestinos na Faixa de Gaza, onde pelo menos 40 civis refugiados em uma escola da ONU morreram nesta terça-feira em um bombardeio israelense.

AFP |

O ataque mais mortífero, conduzido no setor de uma escola administrada pela ONU em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, matou 40 palestinos que tinham se refugiado no estabelecimento, segundo fontes médicas.

Assim, o número de vítimas palestinas desde o início da operação israelense, em 27 de dezembro, passou para pelo menos 635, com mais de 2.900 feridos, anunciaram os serviços de emergência palestinos.

No terreno, os combates entre ativistas palestinos e soldados israelenses continuaram na Cidade de Gaza, nos bairros de Zeitun, Chujaiya e Tuffah, mas também nas zonas urbanas do norte e do sul do território palestino.

Apesar dos apelos internacionais a um cessar-fogo, Israel se recusou a suspender sua ofensiva. O Estado hebreu conta com o apoio dos Estados Unidos, que pedem um "cessar-fogo duradouro" que inclua o fim definitivo dos disparos de foguetes.

"Os combates israelenses serão encerrados quando cessarem os atos de terrorismo e o contrabando de armas entre o Egito e a Faixa de Gaza", declarou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, durante uma visita em Sderot, no sul do país.

A televisão do Hamas, Al-Aqsa TV, divulgou imagens de poças de sangue, colchões e roupas espalhados diante da escola administrada pela Agência da ONU de ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jabaliya.

Socorristas e civis trabalhavam juntos na retirada dos corpos e dos feridos, entre os quais muitas mulheres e crianças.

Mais cedo nesta terça-feira, outras cinco pessoas morreram em ataques israelenses contra escolas da ONU, uma em Gaza e outra em Khan Yunis, no sul do território.

"É uma tragédia horrível, que está ficando cada vez pior. Há cada vez mais feridos chegando", afirmou, espantado, John Ging, o chefe das operações da UNRWA em Gaza.

"Já não há mais lugares seguros onde se refugiar. Todo o mundo está aterrorizado e traumatizado", lamentou.

O número de civis mortos está aumentando cada vez mais. Em um bairro de Gaza, pelo menos 12 pessoas da mesma família, entre elas sete crianças de um a 12 anos, morreram no bombardeio de sua casa.

Um comandante do Hamas era o alvo deste ataque, mas conseguiu fugir com mulher e filhos no início do ataque.

Do lado israelense, um militar morreu durante um confronto com ativistas palestinos, elevando a seis o número de soldados israelenses mortos desde o início da operação. Quatro deles morreram vítimas de "fogo amigo", ao serem atingidos por um obus de tanque israelense.

"O Exército cortou a Faixa de Gaza em dois territórios, e cercou a Cidade de Gaza", afirmou o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak.

"Deflagramos esta operação para dar um duro golpe no Hamas, para mudar as condições de vida no sul de Israel, para trazer calma e segurança aos cidadãos e para acabar com o contrabando de armas para Gaza", destacou Barak.

A situação humanitária está se deteriorando cada vez mais neste território pobre e superpovoado, onde faltam água e alimentos, combustível e energia elétrica.

Apesar da presença dos soldados israelenses na Faixa de Gaza, mais 35 foguetes foram disparados nesta terça-feira contra o sul de Israel, segundo o Exército. Quatro israelenses morreram vítimas desses tiros desde o dia 27 de dezembro.

Pela primeira vez, um dos foguetes caiu a mais de 45 km ao nordeste da Faixa de Gaza, na cidade de Gedera, ferindo levemente um bebê, informou o Exército israelense.

O Exército de Israel afirmou ter matado 130 combatentes do Hamas desde sábado à noite, quando começou a ofensiva terrestre.

No âmbito diplomático, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu à Síria que intervenha diretamente com seus aliados do Hamas para permitir um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Uma delegação do Hamas deve se reunir com dirigentes egípcios no Cairo para discutir sobre os meios de pôr um fim ao conflito.

Na ONU, os países árabes estão se esforçando para conseguir o mais rápido possível uma resolução do Conselho de Segurança impondo um cessar-fogo duradouro em Gaza.

O Papa Bento XVI afirmou que quer encorajar "os esforços dos que buscam ajudar israelenses e palestinos a aceitar o diálogo".

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