Genebra, 19 set (EFE) - Mais de 500 mil mulheres morrem todos os anos por motivos relacionados à gravidez e ao parto - 99% delas nos países em desenvolvimento, e destas, 84% na África e no sul da Ásia -, segundo um relatório divulgado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Além disso, dez milhões de mulheres sofrem lesões, infecções, doenças ou incapacidades em conseqüência da gravidez ou do parto, o que se traduz em uma vida de sofrimentos, acrescenta o estudo. As causas da mortalidade materna são claras, assim como os meios para combatê-la. No entanto, as mulheres continuam morrendo inutilmente, disse Peter Salama, chefe do departamento de saúde do Unicef, ao apresentar o relatório.

"As mulheres perdem a vida porque não têm acesso aos serviços de saúde ou porque a qualidade do atendimento é ruim", ressalta o relatório.

As hemorragias são as causas mais freqüentes de morte, sobretudo na África e na Ásia.

As infecções, os transtornos hipertensivos, os abortos de risco, o trabalho de parto prolongado ou a obstrução do mesmo são as causas diretas mais freqüentes que provocam a morte da mãe, informou Salama.

Porém, a Aids, a anemia e a malária também influenciam de forma indireta na saúde geral da mulher.

Embora a taxa de mortalidade em escala mundial tenha reduzido 5,4% entre 1990 e 2005 - passou de 430 para 400 mortes maternas por cada 100 mil nascidos vivos -, esse avanço é muito lento, afirma o Unicef, e nesse ritmo não se poderá cumprir o Objetivo do Milênio de diminuir a mortalidade materna até 2015.

Enquanto no mundo em desenvolvimento o risco de morte por complicações derivadas da maternidade é de um em 76, no mundo industrializado é de um em oito mil.

O país onde as mulheres correm mais riscos de perder a vida por esta causa é Níger, com uma em cada sete.

O responsável do Unicef destacou que a maioria das mortes maternas pode ser evitada com atendimento pré-natal, serviços de assessoria, diagnóstico da Aids e assistência de profissionais qualificados durante a gestação.

Apesar de, no mundo em desenvolvimento, o atendimento pré-natal ter aumentado na última década e 75% das grávidas receberem atualmente algum tipo de auxílio, o dado é totalmente insuficiente.

"Não podemos permitir moralmente que esta situação continue no mundo em desenvolvimento", disse Salama, "porque os efeitos adversos da mortalidade materna se estendem à família e aos recém-nascidos".

Os dados do Unicef indicam que o bebê que perde a mãe nas primeiras seis semanas de vida tem mais possibilidade de morrer antes de completar dois anos do que aquele cuja mãe sobrevive.

E as crianças sem mãe têm menos possibilidades de depois ingressarem no colégio, acrescentou Salama.

O relatório conclui que, já que as causas da mortalidade materna são claras, assim como os meios para combatê-las, "a razão pela qual permaneceram desatendidas durante tanto tempo é a desvantajosa condição social, política e econômica da mulher em muitas sociedades". EFE vh/fh/db

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