Mais de 500 argentinos pedem adoção de crianças haitianas

Buenos Aires, 22 jan (EFE).- Mais de 500 argentinos manifestaram nos últimos dias a vontade de adotar crianças haitianas que ficaram órfãs após o terremoto do último dia 12, informa hoje a imprensa local.

EFE |

A ONG argentina Adoptar un Ángel recebeu nos últimos dias cerca de 400 consultas sobre adoção de órfãos haitianos.

Além disso, o representante da Embaixada do Haiti em Buenos Aires, Jean Augustave, reconheceu ter recebido mais 100 pedidos de adoção, diz o jornal "Crítica", de Buenos Aires.

A legislação internacional impede a tramitação de pedidos de adoção no caso de conflito armado ou desastre natural. Por isso, atualmente, só estão em trâmite as que foram aprovadas antes do terremoto, explicaram fontes do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Buenos Aires.

Esta norma se deve à dificuldade de verificar a situação pessoal dos menores e as garantias legais adequadas até que o país recupere sua autoridade política.

A associação de moradores haitianos na Argentina avaliou positivamente o aumento das solicitações de adoção de menores e pediu a colaboração da Chancelaria argentina na resolução destes trâmites.

O Unicef, por sua vez, alertou que, com a multiplicação dos pedidos de adoção internacional de menores haitianos, pode haver um estímulo ao abandono de crianças por parte de famílias pobres, deixando-as nas mãos do crime organizado.

"É um assunto muito sensível, no qual sempre deve sobressair o interesse superior destas crianças que foram separadas de suas famílias", apontou Andrés Franco, representante do Unicef na Argentina.

O Unicef denunciou hoje o rapto de pelo menos 15 crianças desacompanhadas em hospitais do Haiti. A suspeita é de que tenham sido sequestradas por redes de tráfico de menores por meio da República Dominicana.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, disse que o número de mortos superará 100 mil.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE jfa/bba

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