Mais de 50 morrem em confronto no nordeste da Nigéria

BAUCHI (NIGÉRIA) - Mais de 50 nigerianos foram mortos no domingo em confrontos entre as forças de segurança e militantes, na cidade de Bauchi, no nordeste do país, disseram moradores e fontes no hospital local.

Reuters |

O confronto começou no domingo de manhã quando aproximadamente 70 militantes armados com rifles e explosivos atacaram uma delegacia de polícia local em retaliação à prisão de um de seus líderes.

A polícia e soldados repeliram o ataque e depois invadiram bairros para prender os responsáveis. Moradores e fontes no hospital dizem que mais de 50 pessoas morreram nos confrontos.

Um repórter da Reuters contou 32 corpos em duas delegacias de Bauchi e disse que dezenas de pessoas estavam feridas entre os mais de 200 que foram presos. De acordo com o governo, morreram 39 pessoas, inclusive um soldado.

"Estávamos um passo à frente dos militantes. Caso contrário a situação teria sido ruim", disse o governador de Bauchi, Isa Yuguda, a repórteres.

"Estou pedindo a todos os moradores de Bauchi para se manterem calmos e estarem seguros de que a situação está sob controle", acrescentou.

O governador impôs um toque de recolher nos próximos dias para acalmar as tensões. A presença da polícia foi reforçada em alguns bairros, mas as lojas continuaram abertas e pessoas andavam livremente pelas ruas antes do toque de recolher.

GRUPO ISLÂMICO

O porta-voz da polícia local Mohammed Barau disse que os militantes eram parte do Boko Haram, um grupo que quer impor a lei Sharia (lei islâmica) em toda a Nigéria.

Um membro do Boko Haram que foi ferido durante o ataque inicial à delegacia disse à Reuters que seu grupo quer "limpar o sistema (nigeriano) que está poluído pela educação ocidental e impor a Sharia no país todo."

"A polícia tem prendido nossos líderes e por isso decidimos fazer uma retaliação", disse o homem, que se identificou somente como Abdullah.

O grupo islâmico está ligado ao movimento pela emancipação do delta do Níger (MEND), o mais importante grupo rebelde da Nigéria. Eles são responsáveis por uma campanha de violência que tem como alvo a maior indústria petrolífera da África desde 2006.

Bauchi é apenas um dos 12 Estados do norte do país onde a maioria da população é muçulmana. Desde 2000, a região adotou as leis islâmicas mais seriamente, uma decisão que marginalizou minorias cristãs significativas e que gerou confrontos violentos resultando em milhares de mortos entre as diferentes facções que ali vivem.

Praticamente metade do país é cristão e metade é muçulmano, apesar de religiões animistas tradicionais ainda permearem a fé de muitos dos nigerianos.

Mais de 200 grupos étnicos vivem, em geral, em paz lado a lado no país mais populoso da África ocidental, apesar de uma guerra civil ter deixado um milhão de mortos entre 1967 e 1970. Houve alguns confrontos de ordem religiosa desde a guerra civil também.

Em novembro do ano passado, centenas de pessoas foram mortas em confrontos na cidade central de Jos depois que uma eleição contestada causou algumas das piores batalhas entre grupos muçulmanas e cristãs dos últimos anos.

Por Ardo Hazzad

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