Mais de 50 mil ficaram sem teto em Gaza, afirma ONU

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou nesta segunda-feira a estimativa de que cerca de 50,8 mil pessoas ficaram sem casa na Faixa de Gaza devido à ofensiva israelense das últimas três semanas. De acordo com a estimativa, outras 400 mil pessoas estariam sem acesso a água encanada.

BBC Brasil |

O governo de Israel, que anunciou um cessar-fogo no sábado, continua retirando soldados do território e anunciou que permitirá a entrada de 143 caminhões com ajuda humanitária, além de 60 mil litros de combustível.

Segundo o governo israelense, o objetivo da ofensiva em Gaza - conter o lançamento de foguetes contra o território israelense, promovido pelo grupo palestino Hamas - foi atingido.

O Hamas também declarou uma trégua e disse que manteve intactas suas bases de lançamento de foguetes e continuará desenvolvendo sua capacidade de atacar Israel, segundo afirmou nesta segunda-feira um porta-voz da facção militar do grupo.

Destruição

O correspondente da BBC na Faixa de Gaza, Christian Fraser, atravessou o território e visitou o norte, onde os tanques israelenses primeiramente cruzaram a fronteira.

Segundo Fraser, lá o cenário é de grande destruição, com vizinhanças inteiras transformadas em escombros pela máquina de guerra israelense.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, planeja visitar Gaza na terça-feira para verificar o estrago em primeira mão - embora fontes israelenses tenham dito que a visita poderá ter que ser adiada.

O diretor de operações da agência da ONU para Refugiados em Gaza, John Ging, disse que o mais importante agora é que suprimentos básicos cheguem ao território.

"Nós temos uma grande operação de recuperação adiante, reconstrução - mas nada disso será possível, é claro, até que tenhamos os postos de fronteira abertos", disse ele à BBC.

Fontes palestinas dizem que pelo menos 1,3 mil palestinos morreram na ofensiva israelense, que começou em 27 de dezembro.

Liga Árabe

Em uma reunião no Kuwait, os países da Liga Árabe mostraram estar divididos quanto à melhor forma de reagir à crise em Gaza.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse que o Hamas foi culpado pelos ataques israelenses por sua recusa em renovar o cessar-fogo que expirou em dezembro.

Por sua vez, o presidente da Síria, Bashar Al-Assad, disse que os líderes árabes deveriam adotar uma resolução declarando Israel uma "entidade terrorista" e apoiando o que qualificou de "resistência palestina".

Já o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu a retomada das negociações para um governo de união das diversas facções palestinas e a realização de eleições presidenciais e parlamentares.

Segundo analistas, Abbas está enfrentando contestações à sua legitimidade como presidente. O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, alega que seu mandato expirou, e muitos dos simpatizantes do presidente ficaram contrariados com comentários feitos por ele sobre o Hamas, quando a Faixa de Gaza estava sendo atacada por Israel.

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