Mais de 50 imigrantes birmaneses morrem asfixiados em caminhão na Tailândia

Fernando Mullor Bangcoc, 10 abr (EFE).- Cinquenta e quatro imigrantes ilegais birmaneses morreram asfixiados enquanto eram transportados em um caminhão de peixe, durante uma operação de tráfico de pessoas na Tailândia.

EFE |

Além disso, outros 47 imigrantes irregulares que também viajavam amontoados no veículo conseguiram sobreviver, embora 21 deles tenham sido transferidos em estado de semiconsciente a hospitais locais.

O acidente aconteceu na noite de quarta-feira, na província de Ranong (sudoeste), que faz fronteira com Mianmar, onde atuam os grupos dedicados ao tráfico de trabalhadores para os setores de agricultura e construção, afirmaram hoje fontes policiais.

O chefe da delegacia provincial, coronel Kraithong Changthongbai, explicou que quando os agentes chegaram ao local após receber um pedido de socorro, encontraram 54 corpos - 37 mulheres e 17 homens - no interior do veículo, de cerca de seis metros de comprimento por dois de largura.

O policial acrescentou que o motorista fugiu do local pouco após parar o veículo, depois de ouvir os gritos de socorro e os socos dados pelos imigrantes nas paredes do contêiner, enquanto o segundo oficial da delegacia, coronel Narin Bussayawit, disse desconhecer o motivo pelo qual o motorista não ligou o sistema de ventilação.

Alguns sobreviventes relataram que o motorista se negou durante todo o tempo a ligar o sistema de ventilação durante as duas horas do percurso, iniciado em Victoria Point, um povoado pesqueiro e ponto habitual de passagem da imigração ilegal.

O motorista está sendo procurado pela Polícia, que conseguiu localizar o proprietário do caminhão, que afirmou desconhecer que seu veículo seria utilizado para transportar trabalhadores clandestinos birmaneses.

A televisão mostrou imagens das equipes de resgate tirando do caminhão os corpos dos imigrantes, que depois foram colocados no armazém de uma organização de caridade à espera da chegada dos investigadores.

Changthongbai afirmou que os birmaneses pagaram cada um 10 mil bat (cerca de US$ 314) para serem transportados até a província turística de Phuket, situada cerca de 150 quilômetros ao sul da de Ranong, onde se concentra a maior parte dos imigrantes ilegais.

O salário mínimo diário para os funcionários públicos em Mianmar subiu para US$ 0,10, enquanto no setor privado chega a US$ 0,80 por dia, e o dos trabalhadores agrícolas fica em US$ 0,40.

A Polícia anunciou que fará uma investigação para identificar os membros dos grupos de traficantes de pessoas, um negócio ilegal que cresceu na última década e movimenta milhões de dólares.

Grupos defensores dos direitos humanos costumam denunciar os abusos e o regime de exploração aos quais são submetidos os imigrantes birmaneses por parte de empresários tailandeses.

Geralmente os imigrantes sem documentação regularizada são encarregados dos empregos que os tailandeses recusam por serem muito sujos, perigosos ou mal pagos, segundo a Anistia Internacional.

Além disso, recebem das máfias salários abaixo do mínimo na Tailândia, e se arriscam a serem detidos e deportados.

Em dezembro do ano passado, as autoridades encontraram flutuando próximos ao litoral os corpos de 22 birmaneses, que morreram afogados quando uma embarcação que os levava à Tailândia afundou.

Mianmar, governada por uma junta militar desde 1962, é a economia menos desenvolvida do Sudeste Asiático, e metade de sua população vive abaixo do nível da pobreza, apesar de o país dispor de fartos recursos energéticos e minerais, segundo dados das Nações Unidas.

EFE fmg/ev/gs

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