Mais de 400 mortos, entre eles um chefe do Hamas, no sexto dia da operação israelense

Um dos principais líderes do Hamas foi morto nesta quinta-feira em um ataque, no sexto dia da operação israelense na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 400 mortos, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmava não querer uma guerra demorada.

AFP |

Pouco antes do falecimento de Nizar Rayan, o dirigente mais importante morto na ofensiva israelense, o Hamas aceitara "sob condições" as propostas formuladas pela União Européia (UE) com vistas à instauração de uma trégua.

"O Hamas aceita esta iniciativa, desde que a agressão israelense acabe, que o bloqueio seja levantado, que todos os pontos de passagem sejam reabertos e que obtenhamos garantias internacionais de que o ocupante não recomeçará esta guerra terrorista", declarou o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum.

Nesta quinta-feira, Nizar Rayan morreu junto com suas quatro esposas, duas de suas filhas, com idades de sete e dez anos, e outras três pessoas no bombardeio do edifício de cinco andares onde vivia com sua família, no campo de refugiados de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza.

Membro da ala mais radical do movimento islâmico, conhecido por seu dom de orador, ele se destacava por suas críticas veementes contra Israel, mas também contra a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas, expulsa da Faixa de Gaza pelo Hamas em junho de 2007.

Um porta-voz militar israelense se limitou a confirmar que a casa de Rayan fora alvo de um bombardeio.

Segundo testemunhas, a aviação israelense conduziu vários ataques no norte da Faixa de Gaza nesta quinta-feira, enquanto a marinha atacava alvos desde o mar.

O Exército de Israel anunciou ter bombardeado desde a meia-noite de ontem cerca de 30 alvos do Hamas.

Entre os alvos atingidos, estão vários ministérios em Gaza, um edifício do Parlamento palestino, túneis utilizados para o contrabando e locais "de fabricação de foguetes".

De acordo com testemunhas, também foram bombardeadas casas de câmbio da cidade de Gaza, além de uma mesquita no sul do território palestino.

O chefe dos serviços de emergência da Faixa de Gaza, Muawiya Hassanein, informou que 412 palestinos foram mortos e mais de 2.000 ficaram feridos desde sábado, quando começou a operação israelense. Segundo a ONU, 25% das vítimas são civis.

Os bombardeios continuaram depois de Israel ter rejeitado propostas de trégua formuladas pela UE e pelo Quarteto para o Oriente Médio, formado por Estados Unidos, Rússia, UE e ONU.

"Não queremos uma guerra demorada, e não desejamos ampliar as frentes", declarou, no entanto, Ehud Olmert, durante uma viagem a Beersheva, cidade do sul do país atingida nos últimos dias por vários foguetes disparados da Faixa de Gaza.

Na noite de quarta-feira, o chefe do governo do Hamas, Ismail Haniyeh, garantiu durante um discurso transmitido pela TV que "o povo palestino vencerá os tanques" israelenses.

No Vaticano, o Papa Bento XVI lançou por ocasião do dia 1º de janeiro, o "Dia mundial da paz" segundo a Igreja católica, um apelo para o fim das hostilidades, pedindo que o "ódio" e a "violência" não vençam no mundo em 2009. Ele se referiu especificamente ao Oriente Médio, onde "a grande maioria" dos israelenses e palestinos quer "viver em paz".

A operação em Gaza tem o apoio de 71% dos israelenses, segundo uma pesquisa publicada pelo jornal Haaretz.

Tiros de foguetes procedentes da Faixa de Gaza mataram quatro pessoas desde sábado, entre elas um soldado, e deixaram dezenas de feridos.

Dez foguetes caíram na manhã desta quinta-feira sobre o sul de Israel, sobretudo em Beersheva. Um edifício também foi atingido em Ashdod, segundo o Exército.

O Hamas também afirmou ter disparado três foguetes contra uma base das forças aéreas israelenses na região de Beersheva. O Exército se recusou a fazer comentários.

No âmbito diplomático, a Líbia entregou ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução pedindo um cessar-fogo imediato em Gaza e seu pleno respeito por Israel e pelo Hamas. Porém, este texto ainda terá que ser emendado para ser aprovado pelos ocidentais.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, deve iniciar segunda-feira uma viagem pelo Oriente Médio. Ele visitará o Egito, a Cisjordânia e Israel, antes de seguir para a Síria e o Líbano, anunciou a presidência francesa.

Sarkozy recebe nesta quinta-feira a chanceler israelense, Tzipi Livni.

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