Pelo menos 42 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas nesta quinta-feira em uma série de atentados no norte do Iraque e em Bagdá, os mais graves desde a retirada das tropas americanas das cidades iraquianas, no fim de junho.

Em Tal Afar, 80 km ao oeste de Mossul (norte, a 350 km de Bagdá), 35 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas em um atentado suicida em um bairro residencial da cidade.

Um primeiro homem-bomba detonou seus explosivos nas proximidades da casa de dois policiais que trabalham na unidade antiterrorista da cidade. Vários pedestres morreram e ficaram feridos.

Em um modus operandi frequente no Iraque, um segundo homem-bomba se misturou entre a multidão que tentava ajudar as primeiras vítimas e também detonou os explosivos. Os dois policiais escaparam ilesos do ataque.

Este foi o ataque mais grave desde a retirada americana das cidades iraquianas em 30 de junho. Desde então, o Exército e a polícia iraquiana são responsáveis pela segurança nas localidades, enquanto as tropas americanas, que tentam manter a discrição, se limitam a patrulhar as proximidades das aglomerações urbanas.

Também nesta quinta-feira, no bairro pobre xiita de Sadr City, que tem dois milhões de habitantes e fica na zona nordeste de Bagdá, seis pessoas morreram e 24 ficaram feridas, incluindo mulheres e crianças, em um atentado em um mercado.

Como aconteceu em Tal Afar, uma primeira bomba explodiu no mercado Al-Ula de Sadr City e minutos depois explodiu a segunda bomba.

No bairro central de Karrada, o comboio de Sinan al-Chbibi, presidente do Banco Central iraquiano, foi alvo de um ataque, mas saiu ileso. Cinco pessoas ficaram feridas.

Na quarta-feira, as explosões de dois carros-bomba na região de Mossul (350 km ao norte de Bagdá) mataram 12 pessoas e deixaram 30 feridas.

A região de Mossul é um dos últimos redutos ativos da Al-Qaeda e dos insurgentes no país. Os ataques demonstram que, apesar de terem sido derrotados amplamente pelas operações militares americanas iniciadas em meados de 2007, continuam sendo capazes de executas ataques violentos bem coordenados.

Durante uma recente visita a Bagdá, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez uma advertência sem precedentes às autoridades iraquianas, ao afirmar que os dois países podem ter um desentendimento político se o Iraque afundar na violência religiosa ou étnica.

Os Estados Unidos, que celebram a redução considerável da violência no Iraque, ao mesmo tempo demonstram irritação com a falta de avanços nas reformas constitucionais necessárias para acabar com a profunda divisão entre xiitas, sunitas e curdos.

O governo do Iraque, no entanto, já pediu a Washington que não interfira em sua política interna.

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