Mais de 40 mortos no atentado mais sangrento dos últimos oito meses na Argélia

Um atentado suicida contra uma academia de polícia de Issers, a leste de Argel, deixou 43 mortos e 38 feridos, o balanço mais sangrento dos ataques islamitas cometidos nos últimos oito meses na Argélia.

AFP |

Este balanço oficial ainda é provisório, segundo o ministério do Interior, dando a entender que o número de vítimas pode aumentar.

Segundo testemunhas ouvidas pela AFP, um camicase lançou seu carro carregado de explosivos contra a porta de entrada principal do prédio, onde os candidatos esperavam para participar de um concurso na escola de formação de policiais de Issers, a quase 60km de Argel.

A fachada da academia foi destruída, as árvores, arrancadas, os vidros de várias lojas voaram em estilhaços, várias casas desabaram, numa explosão extremamente forte, que atingiu vários quilômetros em volta da escola e deixou uma cratera de vários metros de diâmetro, segundo testemunhas.

O veículo usado pelo camicase não foi identificado e o atentado ainda não havia sido assumido até o início da tarde desta terça-feira.

O balanço deste ataque é o mais violento que o do duplo atentado suicida cometido em 11 de dezembro em Argel contra a sede do Conselho constitucional e dois prédios da ONU que deixou 41 mortos.

O duplo atentado foi assumido pelo braço da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (Baqmi, ex-Grupo salafista para a pregação e o combate - GSPC), um braço da rede terrorista de Osama bin Laden.

Os corpos mutilados de vários jovens candidatos ao serviço militar foram recolhidos rapidamente e colocados em cobertores antes de serem colocados em ambulâncias. Os feridos se contorciam de dor, correndo desorientados a procura de socorro.

Um importante dispositivo de segurança foi imediatamente enviado ao local e as estradas que levam a Issers foram fechadas à circulação.

O ministro do Interior, Yazid Zerhouni, foi de helicóptero ao local. "Foi um ato cometido contra os argelinos", declarou à imprensa.

Domingo, uma emboscada armada domingo por grupos armados islâmicos contra um comboio das forças de ordem de Skikda (leste) matou oito policiais, três militares, um civil e quatro islamitas, segundo os jornais Le Quotidien de Oran, Liberté e L'Expression. Segundo a imprensa, dez membros das forças de ordem também foram feridos.

Quinta-feira, o comandante do setor militar da região, o coronel Abdelkader Yamani, foi morto numa emboscada na mesma zona montanhosa que cerca a cidade de Skikda, a 350 km a leste de Argel.

Estes atentados islamitas são atribuídos pela imprensa argelina e por especialistas da luta contra o terrorismo à vontade dos "emires" (chefes islâmicos) de expandir suas atividades para além de um "quadrilatero da morte" formado por Argel, Bumerdes, Buira e Tizi Ouzou (leste), para tentar aliviar a ação do exército contra seus grupos entrincheirados em Cabília.

Na noite de 7 a 8 de agosto, 12 islamitas foram mortos numa emboscada armada pelas forças de segurança perto de Beni Duala, em Cabília (110 km a leste de Argel), em resposta a um ataque islamita contra o comissariado de informações gerais em Tizi Ouzou que deixou 25 feridos dia 3 de agosto passado.

bur-abh-hg/lm

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