Mais de 300 mortos em Gaza, Israel faz novas ameaças contra Hamas

Travando uma guerra intensa contra o Hamas, Israel bombardeou nesta segunda-feira, pelo terceiro dia consecutivo, alvos do movimento radical islâmico na Faixa de Gaza, onde o balanço de vítimas subiu para 345 mortos, entre eles 57 civis, e onde ganha força a eventualidade de ataques terrestres.

AFP |

Doze palestinos foram mortos e outros 30 ficaram feridos no início da noite em duas operações aéreas israelenses em Beit Lahya e Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza.

O primeiro ataque teve como alvo a casa de um ativista do braço armado do Hamas, e o segundo foi contra um veículo ocupado por homens cuja identidade era desconhecida até o momento.

"Quando a operação terminar, não restará um único edifício do Hamas em Gaza", garantiu o chefe de estado-maior adjunto israelense, o general Dan Harel, em declarações publicadas pela imprensa.

"Nossos alvos não são apenas os terroristas e os lança-foguetes, mas também o governo do Hamas. Bombardeamos edifícios oficiais e atacamos as forças de segurança. Culpamos o Hamas por tudo o que está acontecendo, e não fazemos nenhuma diferença entre suas diversas ramificações", acrescentou.

Após uma série de ataques noturnos, alguns dos quais perpetrados por navios de guerra israelenses ao largo de Gaza, a aviação de Israel lançou novos bombardeios nesta segunda-feira, destruindo principalmente o escritório do primeiro-ministro do governo do Hamas, Ismail Haniyeh. Dois líderes do grupo radical Jihad Islâmica foram mortos.

Durante a noite de ontem, um avião israelense bombardeou a universidade islâmica de Gaza, um feudo do Hamas, e destruiu uma mesquita em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza. Cinco irmãs de uma mesma família que moravam perto da mesquita morreram no ataque.

De acordo com o último balanço divulgado pelo chefe dos serviços de emergência na Faixa de Gaza, Muawiya Hassanein, os ataques aéreos de Israel deixaram no total mais de 345 mortos e 1.550 feridos desde sábado. A maioria das vítimas pertencia ao Hamas.

Citando fontes hospitalares, Christopher Gunness, porta-voz da UNRWA, a agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos, 57 civis, entre eles 21 crianças e pelo menos sete mulheres, faleceram nos bombardeios israelenses.

Batizada "chumbo grosso", "Operation Cast Lead", em inglês, a operação, de uma violência inédita desde a ocupação dos territórios palestinos por Israel em 1967, tem como objetivo, segundo o Estado hebreu, acabar com os disparos de foguetes contra o sul do país a partir da Faixa de Gaza, um território controlado pelo Hamas desde junho de 2007.

Em Ramallah, na Cisjordânia, o presidente palestino, Mahmud Abbas, anunciou a intenção de se reunir "com todos os partidos palestinos, inclusive com o Hamas, para conversar sobre os trágicos acontecimentos na Faixa de Gaza". Entretanto, o Hamas rejeitou a idéia de manter tal reunião.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), presidida por Abbas, defendeu o envio de uma força internacional a Gaza para proteger os moradores "dos crimes israelenses".

Deixando pairar a ameaça de uma ofensiva terrestre, Israel, que mobilizou 6.500 reservistas, enviou nesta segunda-feira reforços de infantaria e de blindados na fronteira da Faixa de Gaza, segundo fotógrafos da AFP.

O Exército de Israel também decretou a zona da fronteira da Faixa de Gaza "zona militar fechada", uma medida que pode eventualmente preceder um ataque terrestre.

A operação israelense não impediu o disparo de novos foguetes nesta segunda-feira contra o sul do país, onde um operário árabe foi morto e oito civis ficaram feridos em Ashkelon, a 13 km da Faixa de Gaza.

Trata-se do segundo civil morto por foguetes palestinos em Israel desde o início dos ataques aéreos. Segundo o Exército, mais de 200 foguetes e obuses de morteiro foram atirados contra o território israelense desde sábado. Estes disparos foram reivindicados pelo Hamas.

As autoridades israelenses também informaram que as escolas localizadas dentro de um raio de 20 km nos arredores da Faixa de Gaza ficarão fechadas na terça-feira.

Além disso, forças da ordem israelenses e manifestantes palestinos entraram em confronto nesta segunda-feira na Cisjordânia. Cerca de dez palestinos foram feridos.

Várias manifestações foram registradas no mundo árabe, principalmente no Cairo, em Beirute e em Amã. Em Teerã, milhares de pessoas clamaram: "Morte a Israel".

Em Washington, a Casa Branca pediu nesta segunda-feira ao Hamas que pare com os disparos de foguetes contra Israel e aceite um cessar-fogo "duradouro".

As autoridades americanas também afirmaram que a intenção de Israel não é retomar o controle da Faixa de Gaza, mas apenas "se defender".

"Os Estados Unidos entendem que Israel tem que agir para se defender", declarou Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, conversou por telefone com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e vários dirigentes mundiais para tentar estabelecer um cessar-fogo, frisou o departamento de Estado.

A Casa Branca também expressou preocupação com a situação humanitária na Faixa de Gaza, e pediu "a todas as partes" que permitam a chegada de alimentos e medicamentos ao território palestino.

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