Mais de 2 milhões peregrinam ao Monte Arafat, na Arábia Saudita

Muçulmanos creem que profeta Maomé fez seu último sermão, há mais de 14 anos, no local, também chamado de Monte da Misericórdia

AFP |

Mais de 2 milhões de muçulmanos, que realizam neste ano a peregrinação a Meca, na Arábia Saudita, reuniram-se nesta segunda-feira no Monte Arafat. Os fiéis, vestidos de branco, dirigiram-se ao amanhecer ao local, também chamado Monte da Misericórdia, de onde acreditam que o profeta Maomé fez seu último sermão, há mais de 14 séculos.

Eles percorreram a pé ou de ônibus os cerca de 10 quilômetros que separam o Monte Arafat do vale de Mina, onde começou a peregrinação no sábado - um dia dedicado à oração e ao recolhimento. O tráfego era intenso, com muitos engarrafamentos.

A rede Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) anunciou no domingo que se opunha a qualquer ataque contra peregrinos em Meca, em resposta ao ministro saudita do Interior, o príncipe Nayef Bin Abdul Aziz, que disse não descartar uma ação desse tipo.

"Asseguramos à nação islâmica que somos contrários a toda ação criminosa dirigida contra os peregrinos", escreveu a AQPA em comunicado publicado num site islamita.

A peregrinação a Meca é considerada um dos cinco pilares do Islã. Os outros quatro são a profissão de fé, a oração cinco vezes ao dia, o jejum durante o Ramadã e a oferta da esmola.

Algumas estimativas falam em 2,5 milhões de peregrinos. Segundo as autoridades, 1,7 milhão de muçulmanos já receberam o visto do Hajj, somando-se aos 200 mil da Arábia Saudita e da região do Golfo autorizados a cumprir esse ritual. Mas dezenas de milhares de fiéis sem autorização conseguiram chegar a Mina, apesar da vigilância da polícia.

Depois das orações em conjunto, na mesquita de Namera, os peregrinos devem passar o restante do dia pedindo perdão a Deus no Monte Arafat, símbolo da espera do Julgamento Final.

"Não posso explicar o que sinto", disse emocionado Mosaad Mheymid, de nacionalidade síria. "É como se já estivesse no Juízo Final", acrescentou.

Depois de passar a noite no vale de Muzdalifa, os peregrinos regressarão a Mina na terça-feira para imolar um animal, que deve ser um cordeiro, e lembrar, assim, o sacrifício de seu próprio filho que Abrão esteve a ponto de realizar, para cumprir ordem de Deus.

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