Mais de 100 índios colombianos estão refugiados em escola por fogo cruzado

Bogotá, 9 abr (EFE).- Mais de 100 índios do povo Emberá estão confinados há três dias em uma escola rural do departamento colombiano do Chocó (oeste) por causa dos combates entre o Exército e a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN), afirmaram hoje à Agência Efe fontes de uma organização indígena.

EFE |

"Desde quarta-feira, quando levavam o almoço a seus maridos, que trabalham na agricultura, dezenas de mulheres foram surpreendidas por combates e tiveram que buscar refúgio", disse uma porta-voz da Associação de Cabidos Indígenas Emberá, Wounaan, Katío, Chamí e Tule (Orewa).

Os maridos se uniram às mulheres e, juntos, buscaram refúgio em uma escola rural em jurisdição da cidade de Carmen de Atrato, ressaltou a fonte à Agência Efe por telefone de Quibdó, capital do Chocó.

Tanto os rebeldes do ELN como as Forças Militares enviaram advertências às pessoas abrigadas na escola, acrescentou a porta-voz.

A fonte lamentou que o Exército não respeite uma circular do Ministério do Interior e de Justiça que proíbe operações militares em zonas de risco das comunidades indígenas.

As Forças Armadas explicaram à Defensoria Pública no Chocó que as tropas "responderam o fogo", acrescentou a porta-voz de Orewa.

Segundo ela, as comunidades indígenas nessa região sofrem há anos com a presença e a repressão "tanto de grupos ilegais como legais" nos territórios indígenas.

Diversas autoridades nativas no departamento pediram com caráter de urgência a organizações como Ação Social (entidade oficial de assistência humanitária) que enviem alimentos e artigos básicos aos refugiados.

A mesma fonte, que suplicou pelo fim dos confrontos nos territórios indígenas, acrescentou que os indígenas se encontram aglomerados.

O conselheiro da comunidade afetada, Jorge Luis Queragama, por sua vez, advertiu que podem ser registrados deslocamentos maciços rumo às cidades.

"Ataques aos povos indígenas são cada vez mais sangrentos e frequentes, aterrorizando e forçando o deslocamento e o abandono de seus estilos de vida. Fazemos um apelo urgente para que cessem os confrontos, ataques e violações e para que se respeite a vida", ressaltou Queragama. EFE rrm/sa

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