Copenhague, 3 dez (EFE).- Mas de 100 países comprometeram-se a assinar hoje em Oslo o Tratado Internacional para a Proibição das Bombas de Fragmentação e conclamaram seus principais produtores, como Estados Unidos, Rússia e China, a se juntar à iniciativa.

A ausência destes países e de outros como a Índia, Israel, Paquistão, Polônia e Finlândia freia um processo impulsionado pela Noruega nos dois últimos anos e concluído em maio com a negociação do documento assinado em Oslo.

Ao todo, 125 países participaram da convenção, dos quais 120 se comprometeram a assiná-lo e mais de 100 o fariam entre hoje e amanhã, informaram as autoridades norueguesas.

O tratado recebeu o apoio de 18 dos 26 membros da Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan) e países como a França, Alemanha, Grã-Bretanha, Japão e Espanha enviaram seus ministros de Exteriores a Oslo para fazer mais visível seu compromisso com a iniciativa.

Até alguns como o Afeganistão, que tinha se negado a fazê-lo por ser um país em guerra, mudou na última hora de opinião, segundo anunciou seu representante, o que provocou uma explosão de júbilo entre os presentes na Prefeitura de Oslo.

O acordo proíbe uso, desenvolvimento, fabricação, aquisição e armazenamento das bombas de fragmentação e melhora a assistência às vítimas, a maioria civis.

Os países signatários não poderão colaborar em operações militares com outros estados que não tenham assinado o acordo, salvo nos aspectos relacionados com o uso dessas armas.

O ministro de Relações Exteriores norueguês, Jonas Gahr Store, anfitrião da cerimônia, classificou de "histórico" o dia, e comunicou que o tratado já foi ratificado pelos Parlamentos de quatro países, entre eles o seu.

Para que ele entre em vigor, é necessário que pelo menos 30 países o ratifiquem, o que Store espera que ocorra em 2009.

Seu colega espanhol, Miguel Ángel Moratinos, manifestou em seu discurso a "vontade" do Governo e do Parlamento espanhóis para tramitar sua aprovação por via de urgência.

Moratinos lembrou ainda que o Governo já aprovou em julho uma moratória unilateral para proibir as bombas de fragmentação na Espanha e destruir as existentes nos arsenais militares.

A convenção, que se prolongou por várias horas e da qual também participaram 250 ativistas de 75 países e pessoas que foram feridas por este tipo de bombas, foi inaugurada com discurso do primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg.

Stoltenberg afirmou que "o mundo não será o mesmo" depois de hoje e convidou países como os EUA e Rússia a se unirem à iniciativa.

O chefe de Governo norueguês lembrou em declarações à agência "NTB" que o próximo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, votou então contra o uso desse armamento e assinalou que a Noruega entrará em contato com ele para conhecer seu ponto de vista.

A assinatura do tratado culmina um processo que foi lançado por várias ONGs em 1997, quando se adotou a proibição internacional das minas terrestres.

Insatisfeito com a lentidão do processo na ONU, o Governo norueguês declarou em novembro de 2006 que impulsionaria por sua conta, junto com outros países, uma iniciativa para acelerar a negociação.

O trabalho diplomático começou em fevereiro de 2007 e terminou em Dublin, em maio.

Segundo a Coalizão Contra as Bombas de Fragmentação (CMC, na sigla em inglês), que agrupa mais de 200 ONGs pela proibição, as bombas de fragmentação feriram e assassinaram mais de 100 mil pessoas, um terço deles crianças, desde 1965. EFE alc/jp

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