Mais de 1 bilhão de pessoas passarão fome em 2009, diz FAO

ROMA - Um total de 1,020 bilhão de pessoas, ou um em cada seis seres humanos, passará fome em 2009, segundo informou nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Segundo o órgão, o número é recorde.

Redação com agências internacionais |

Em comunicado emitido em sua sede, em Roma, a FAO afirmou que a previsão é de que o número de vítimas da fome aumente 11% neste ano. Para estabelecer estas previsões, a FAO se baseou nas análises do departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

O órgão atribui esse aumento à crise econômica mundial, que originou uma diminuição da renda e um aumento do desemprego, o que ajudou na redução ao acesso aos alimentos por parte dos mais desfavorecidos.

"Embora importante progresso tenha sido obtido para reduzir a fome crônica na década de 1980 e na primeira metade de 1990, elaaumentou inexoravelmente durante a última década", diz a organização.

"O número de famintos aumentou entre 1995-97 e 2004-06 em todas as regiões do mundo, exceto na América Latina e no Caribe", acrescenta a FAO. "Mas inclusive nesta região os progressos históricos na redução da fome foram anulados como consequência da alta dos preços dos alimentos e da atual crise econômica."

A maior parte da população desnutrida do planeta vive em países em desenvolvimento. Na Ásia e no Pacífico, calcula-se que cerca de 642 milhões de pessoas sofram de fome crônica. Além disso, 265 milhões passam fome na África Subsaariana, 53 milhões na América Latina e no Caribe, 42 milhões no norte da África e no Oriente Médio e 15 milhões nos países desenvolvidos.

Segundo a FAO, os pobres que moram em zonas urbanas terão mais dificuldades para enfrentar a recessão mundial, já que a queda da demanda de exportações e a redução do investimento estrangeiro direto causarão um aumento no desemprego urbano.

No entanto, o órgão informou que as áreas rurais deverão enfrentar o problema que representará a volta de parte dessa população urbana para o campo.

Além disso, a FAO manifestou que os países em desenvolvimento terão uma menor capacidade de manobra nesta crise, devido à rápida deterioração do contexto econômico e ao fato de que as turbulências afetam todo o mundo de forma mais ou menos simultânea.

Isto limita a capacidade de se recorrer a mecanismos reparadores para se ajustar aos vaivéns macroeconômicos, como a desvalorização da moeda ou empréstimos no mercado internacional de capitais.

"Não podemos ficar indiferentes à situação atual de insegurança alimentar no mundo", alertou o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, que pediu mais mecanismos para elevar a produtividade agrícola dos países pobres. "Esta crise representa um sério risco para a paz e a segurança mundiais".

(Com informações da EFE e da BBC)

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