Por Richard Cowan WASHINGTON (Reuters) - Chega a quase metade o número de americanos que acham exagerada a preocupação com o aquecimento global, e cada vez mais eles duvidam de que os alertas científicos sobre tragédias climáticas irão se concretizar, segundo uma nova pesquisa Gallup.

Esse movimento da opinião pública é registrado num momento em que o presidente Barack Obama pressiona o Congresso a aprovar leis para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

A pesquisa foi divulgada no mesmo dia em que o governo divulgou no Texas um relatório salientando as ameaças a aves por causa da mudança climática.

Em ano de eleições parlamentares nos EUA, muitos congressistas hesitam em aprovar leis energéticas e ambientais polêmicas, especialmente se o interesse do eleitorado sobre esses temas estiver em queda.

Em todo o mundo, as preocupações com a mudança climática perderam espaço para as questões econômicas, segundo pesquisa Nielson/Universidade de Oxford de dezembro, que apontou uma maior preocupação com o tema na América Latina e nos países da Ásia-Pacífico, como as Filipinas, onde tufões são uma grande ameaça.

Embora as preocupações com o clima nos EUA tenham caído significativamente na pesquisa Nielson, elas ainda apareciam bem à frente do índice de preocupação em países do Leste Europeu, como a Estônia, que vinham na "lanterna" da pesquisa.

Em resposta à escalada de ataques por parte de pessoas e grupos céticos em relação à mudança climática, a União dos Cientistas Preocupados divulgou na quinta-feira uma carta assinada por mais de 2.000 cientistas e economistas, inclusive alguns ganhadores do Nobel, pedindo ao Senado dos EUA que aprove a lei climática.

"A força das evidências sobre a mudança climática nos leva a alertar a nação sobre o risco crescente de consequências irreversíveis (...). Conforme a temperatura subir mais, a abrangência e gravidade dos impactos do aquecimento global vão continuar se acelerando", escreveram.

A pesquisa Gallup, realizada de 4 a 7 de março, indica uma reversão no sentimento da opinião pública a respeito de uma questão que envolve não só o meio ambiente, mas também preocupações relativas a economia e segurança nacional.

O número de norte-americanos que veem exagero nos alertas sobre o aquecimento passou de 31 por cento na primeira pesquisa do Gallup sobre o tema, em 1997, para 41 por cento no ano passado e 48 por cento agora. Para 19 por cento, os efeitos do aquecimento global não irão acontecer; para 16 por cento, não acontecerão no seu período de vida.

A pesquisa, que ouviu 1.014 adultos e tem margem de erro de quatro pontos percentuais, foi feita após as notícias de que detalhes científicos dos relatórios da ONU sobre o aquecimento haviam sido distorcidos ou exagerados.

(Reportagem adicional de Ed Stoddard em Dallas)

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