BERLIM - O número de sacerdotes acusados de pedofilia no Coral de Ratisbona (sul da Alemanha) aumentou nesta segunda-feira para seis, confirmou Clemens Neck, porta-voz da diocese.

Entre os acusados estão quatro padres e duas freiras. Um dos homens trabalhou no internato em que Georg Ratzinger, irmão do papa Bento XVI, foi diretor musical durante três décadas.

Neck explicou que as acusações são anteriores a 1984. Os homens vivem atualmente em diversas dioceses da Alemanha, enquanto as duas mulheres sofrem de demência senil. Segundo ele, o número de vítimas continua aumentando, ao mesmo tempo em que são apresentadas acusações contra religiosos que já morreram.

No início do mês o Bispado de Ratisbona anunciou que dois religiosos da comunidade, mortos em 1984, foram condenados judicialmente por pedofilia.

Por outro lado, a Igreja Evangélica informou nesta segunda-feira em Düsseldorf que três casos suspeitos de abusos, que envolvem sacerdotes e funcionários eclesiásticos, estão sendo investigados.

A vice-presidente da diocese, Petra Bosse-Huber, explicou que nos últimos dias várias denúncias chegaram à instituição, algumas com mais de 50 anos. "Estamos envergonhados e horrorizados. Pedimos o perdão das vítimas", disse.

Esses casos somam-se a uma série de revelações que vieram à tona desde que foi descoberto, em fevereiro, um escândalo de pedofilia na escola de elite jesuíta Canisius, em Berlim.

Até o momento as acusações afetam 23 escolas e internatos alemães, em especial os conventos da Baviera.

Segundo a imprensa do país, a arquidiocese de Munique e Freising admitiu o "grave erro" cometido na década de 1980 ao acolher um padre com antecedentes de pedofilia e colocá-lo em uma paróquia da diocese, onde reincidiu nos abusos sexuais. Na época, o arcebispo responsável pela comunidade era o atual papa Bento XVI.

A chanceler alemã, Angela Merkel, celebrou nesta segunda-feira a carta na qual o pontífice pede perdão às vítimas dos padres pedófilos na Irlanda. Na semana passada, ela reivindicou a verdade sobre os inúmeros casos de abusos sexuais a menores na Alemanha.

Segundo Ulrich Wilhelm, porta-voz da chanceler, para a governante "as vítimas e a sociedade em geral" precisam de "clareza e veracidade".

No final de abril, a ministra da Justiça Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, a ministra da Família Kristina Schröder e a ministra de Ciência e Pesquisa Annette Schavan participarão de uma mesa-redonda para examinar os caso dos abusos sexuais a menores.

Leutheusser-Schnarrenberger elogiou o anúncio dos bispos católicos da Baviera que disseram que pretendem cooperar com a Justiça e denunciarão todos os casos de pedofilia, mesmo quando a vítima for contra.

Para a ministra, essa predisposição "abre uma nova via" para todas as dioceses alemãs, além de ser um "sinal encorajador" para as vítimas.

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