Tamanho do texto

A maioria anti-síria no Líbano afirmou nesta segunda-feira que não aceitará dialogar com a oposição liderada pelo Hezbollah sob a ameaça das armas do grupo radical, com os combates sendo retomados entre militantes de ambas as correntes no norte do país.

Violentos confrontos explodiram em Trípoli, maior cidade do norte do Líbano, nos quais um homem foi morto atingido por uma bala perdida e quatro pessoas ficaram feridas, e que obrigaram o Exército libanês, que estava mobilizado no domingo na região, a se retirar, declarou à AFP uma fonte dos serviços de segurança.

"Queremos um comprometimento solene do (líder do Hezbollah) Hassan Nasrallah frente à opinião pública, aos países árabes e até mesmo ao Irã, de que não vai utilizar suas armas contra os libaneses", declarou o ex-presidente Amine Gemayel, um dos líderes da maioria anti-síria que governa Beirute.

"Se os dirigentes da oposição querem um diálogo, não precisam utilizar suas armas com o objetivo de mudar o equilíbrio de poderes", acrescentou à imprensa, em referência aos ataques efetuados pelo Hezbollah em diversas regiões contra os partidários da maioria governista.

Violentos combates foram desencadeados principalmente em Beirute Ocidental, em Trípoli (norte) e nas montanhas drusas (sudeste de Beirute), deixando pelo menos 59 mortos e cerca de 200 feridos desde 7 de maio, de acordo com um registro estabelecido pelos serviços oficiais de segurança.

Uma greve geral neste dia provocou confrontos entre militantes da maioria anti-síria e da oposição, liderada pelo Hezbollah xiita com o apoio de Damasco e Teerã.

Nabih Berri, presidente do Parlamento e um dos líderes da oposição, pediu um diálogo nacional para pôr fim à grave crise política que dura 18 meses e impede a eleição de um presidente da República.

Nesta segunda-feira, o Exército libanês permanecia mobilizado nas regiões afetadas pelos combates da semana passada.

O Hezbollah tomou o controle na sexta-feira da parte oeste de Beirute após ter caçado seus rivais sunitas pró-governo, antes de retirar seus combatentes das ruas durante o final de semana e deixar que o Exército assumisse a segurança.

O avanço do grupo xiita obrigou o governo apoiado pelo Ocidente a estabelecer um compromisso e a encarregar o Exército de efetivar as decisões tomadas, que desencadearam a onda de violência. Os enfrentamentos foram os mais violentos desde o fim da guerra civil (1975-1990).

Estas decisões, o início de uma investigação sobre uma rede de telecomunicações do Hezbollah e a destituição do chefe da segurança do aeroporto, que seria ligado ao partido xiita, foram revogadas pelo Exército.

Os militares também pediram a retirada dos homens armados das ruas e a reabertura das estradas. Mas nesta segunda-feira, várias vias ainda estavam bloqueadas, principalmente a que leva ao aeroporto de Beirute. A oposição alertou que manterá seu movimento de "desobediência civil".

Os ministros árabes das Relações Exteriores, reunidos no domingo no Cairo, rejeitaram "a violência armada como meio de alcançar objetivos políticos" e anunciaram que enviarão uma delegação ministerial a Beirute para manter conversações com dirigentes libaneses.

Uma fonte diplomática libanesa declarou à AFP nesta segunda-feira que "nenhuma data foi fixada para a vinda da delegação". Esta não terá a presença de representantes do Egito e da Arábia Saudita, dois países que apóiam o governo de Fuad Siniora, nem da Síria, aliada do Hezbollah.

Como sinal do aumento das tensões, o navio de guerra americano USS Cole, cujo posicionamento em fevereiro nas proximidades do Líbano foi criticado pela Síria, retornou ao Mediterrâneo, após ter cruzado o Canal de Suez.

bur-ram/dm/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.