Maioria governista no Parlamento fica em xeque em pleito argentino

Buenos Aires, 27 jun (EFE).- Cerca de 28 milhões de argentinos estão aptos a votar amanhã em eleições legislativas que serão fundamentais para definir o mapa político do país, porque está em jogo a maioria do Governo no Parlamento.

EFE |

O pleito renovará mandatos de metade das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados (Baixa) e de um terço das 72 vagas do Senado.

A Frente para a Vitória, bloco peronista liderado pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e seus aliados, conta atualmente com maioria absoluta no Congresso.

Após uma intensa campanha, que contou com predominância de desqualificações de propostas apresentadas, as pesquisas indicam que o Governo poderia perder a maioria, embora deva se manter como a maior força política argentina.

A batalha definitiva pelo Parlamento está sendo travada na província de Buenos Aires, a mais povoada do país e tradicional reduto peronista, cujo voto foi até agora decisivo para determinar maiorias parlamentares e escolher presidentes.

Desta vez, na província de Buenos Aires, estão aptos a votar mais de dez milhões de eleitores, e 35 cadeiras de deputado federal estarão em jogo.

Por isso, as principais forças políticas colocaram seus melhores candidatos como cabeças de lista eleitoral na província.

As pesquisas mais recentes apontam para um empate técnico entre Néstor Kirchner, candidato governista, e seu rival mais direto, o peronista dissidente Francisco de Narváez, empresário que lidera listas da coalizão opositora União-PRO.

Néstor reforçou sua candidatura com a adesão do governador provincial, Daniel Scioli, a atriz Nacha Guevara, e com o chefe do gabinete de ministros, Sergio Massa.

O União-PRO, que reúne a ala conservadora PRO com setores do peronismo dissidente, reúne Narváez com o ex-governador do distrito Felipe Solá e Jorge Macri, primo do prefeito da capital argentina e líder do PRO, Mauricio Macri.

Atrás das duas primeiras forças políticas nas pesquisas vem a frente opositora Acordo Cívico e Social (ACS) - que reúne a União Cívica Radical (UCR), segunda maior força parlamentar do país -, que apresenta Margarita Stolbizer como cabeça de lista, seguida por Ricardo Alfonsín, filho do recentemente falecido ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989).

Na cidade de Buenos Aires, onde 2,5 milhões de eleitores estão aptos a escolher 13 deputados, Gabriela Michetti renunciou ao cargo de vice-prefeita para liderar a lista de aspirantes a deputados do PRO, que, de acordo com as últimas pesquisas, obterá nova vitória na região.

Em uma forte aposta para derrotar a coalizão conservadora, o ACS terá como candidata sua principal referência nacional, Elisa Carrió, que na lista da legenda está em terceiro lugar, atrás de Alfonso Prat-Gay e Ricardo Gil Lavedra.

O Governo apresenta Carlos Heller, ex-integrante do Partido Comunista que preside o Banco Credicoop.

O candidato "revelação" da capital é o cineasta Fernando "Pino" Solanas, pelo partido esquerdista Projeto Sul, que passou de contar com um apoio quase marginal a pensar em ganhar posições importantes nas pesquisas.

Os analistas estão prestando atenção especial também nos resultados da província de Santa Fé, a única governada por socialistas e onde o presidente do Partido Socialista, Rubén Giustiniani, concorre ao Senado com o peronista dissidente e ex-corredor de Fórmula 1 Carlos Reutemann, que já sonha com a ideia de chegar à Presidência argentina.

As autoridades eleitorais disponibilizaram um forte esquema de segurança para garantir a ordem durante o processo de votação, com 120 mil oficiais das Forças Armadas, da Polícia Federal e de guardas regionais. EFE mar/fr

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