Maioria governista argentina em risco, segundo pesquisas

A presidente Cristina Kirchner corre o risco de perder a maioria na Câmara de Deputados, assinalam nesta terça-feira os principais institutos de opinião, nas primeiras pesquisas divulgadas a 40 dias das eleições legislativas na Argentina.

AFP |

A maior ameaça está representada pelo avanço dos candidatos do chamado peronismo dissidente, membros da ala liberal do partido e antigos adeptos do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999).

A maior batalha da oposição contra o governo acontecerá na província de Buenos Aires (com quase 40% do total de eleitorado), segundo seis grandes consultoras de opinião.

Aí, a chapa liderada pelo marido da presidente, chefe peronista e ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), está na fente com 26,6% a 34,1% das intenções de voto.

Néstor Kirchner mantém diferenças de entre 2,6 e 9,8 pontos sobre o segundo candidato, o peronista neoliberal e empresário multimilionário Francisco De Narváez.

Mas até os percentuais mais favoráveis posicionam o governismo longe dos 46% obtidos no distrito de Buenos Aires em 2007, numa eleição que, além disso, consagrou a presidente Kirchner, com 45,2% dos votos em nível nacional.

Segundo as pesquisas, o governismo perderia entre cinco e seis deputados do total de 20 vagas renováveis da provincia de Buenos Aires.

Se isto acontecer, o governo acabaria perdendo, também, a maioria que possui atualmente na Câmara com 115 deputados próprios mais uma vintena de aliados, sobre um total de 257.

Com esta força, conseguiu fazer aprovar leis consideradas cruciais como a de reestatização da Aerolíneas Argentinas e a de abolição de pensões privadas, para a criação de um sistema único estatal de aposentadorias.

Não há pesquisas sobre outras províncias, mas a popularidade do governo baixou de 50% para 30% no último ano, pelo que perderia ainda mais cadeiras.

No dia 28 de junho, os argentinos vão renovar, também, um terço do Senado de 72 cadeiras, além de suas câmaras legislativas provinciais e municipais.

O governismo e seus aliados contam com maioria de 37 cadeiras no Senado, mas ainda não há tendências sobre esta Casa, nas pesquisas.

As consultoras Equis, Julio Aurelio, CEOP, Mangement and Fit e Isonomia colocam em segundo lugar na província de Buenos Aires a candidatura de Narváez (que nucleia peronistas de direita dissidentes com setores liberais) com entre 23,2% e 30,1%.

No terceiro lugar está a UCR, aliada com a liberal Margarita Stolbizer, com entre 13,8% e 19,8%, embora uma das consultoras, o instituto Ibarometro, lhe conceda o segundo lugar, atrás de Kirchner.

Outros territórios que se apresentam hostis ao peronismo kirchnerista são as províncias de Córdoba (centro) e Santa Fé (centro-leste), terceiro e quarto distritos eleitorais, respectivamente.

Na capital, segundo distrito eleitoral historicamente antiperonista, lidera as preferencias Gabriela Michetti, candidata do prefeito de direita Mauricio Macri, aliado de Narváez.

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