Candidatos usam tema para atacar política externa de Obama e atrair votos de conservadores e da comunidade judaica dos EUA

Favorito Mitt Romney comemora vitória em primárias no dia 29. Republicano usa Irã para criticar política externa de Obama
Reuters
Favorito Mitt Romney comemora vitória em primárias no dia 29. Republicano usa Irã para criticar política externa de Obama
Enquanto a Agência de Energia Atômica (IAEA) confirma em relatórios que o Irã continua ampliando seu programa nuclear , e Israel dá indicações de que estuda atacar o país persa para evitar que produza uma bomba atômica, os pré-candidatos republicanos usam o tema para conquistar votos, principalmente das comunidades conservadoras e judaica nos Estados Unidos.

Ameaça: Irã trabalha para ter armas nucleares, diz agência da ONU

Desafio: Ataque aéreo contra o Irã pode ser tarefa complicada para Israel

O Irã tem sido o tópico de relações exteriores mais comentado em discursos e nos debates dos pré-candidatos. E entre os quatro republicanos concorrendo à nomeação para enfrentar o presidente Barack Obama nas eleiçõe s de novembro , apenas um, Ron Paul, não defende que o país entre em guerra contra o Irã o mais rapidamente possível.

O favorito Mitt Romney disse na última semana que “as ambições nucleares do Irã são a maior falha do atual presidente”. Ele também afirmou que o governo não está fazendo “todo o necessário para dissuadir o Irã”. Rick Santorum acusou Obama de ser ingênuo e inexperiente nesse tema. Já Newt Gingrich foi mais longe, dizendo que apoia o direito de Israel de “realizar uma operação militar dramática para interromper ou atrasar o sistema nuclear Iraniano”.

Em um debate no Arizona no dia 22, os três candidatos concordaram que é melhor iniciar uma guerra agora do que correr o risco de o Irã desenvolver uma bomba atômica. Ron Paul foi o único candidato contrário. “Se queremos diminuir a dívida pública, não podemos declarar mais uma guerra. Além disso, o Irã pode ser um novo Iraque, onde os militares nunca encontraram armas de destruição em massa”, declarou.

Além do fator econômico e das marcas deixadas pelo fiasco no Iraque, os Estados Unidos também enfrentariam outro problema caso decidissem declarar guerra contra o Irã neste momento. Como grande parte da produção nuclear do país é feita dentro de montanhas ou a 9.144 metros abaixo da terra, o alcance dos bombardeios seria limitado.

Ainda lutando no Afeganistão , e tendo apenas deixado o Iraque em dezembro , o Exército e a sociedade americana não estão prontos para mais uma guerra. “Esse é o problema de lutar muitas guerras ao mesmo tempo. O Exército e a economia do país ficam debilitados”, disse ao iG o analista Scott Johnson, da consultoria de segurança IHS.

Mesmo assim, de acordo com uma pesquisa recente do Pew Research Center, quase 60% da população americana concordam que é fundamental bloquear o Irã antes que o país consiga produzir armas atômicas, mesmo que sejam necessárias ações militares.

Somente 30% são contrários ao início de uma guerra americana contra o país. Mais de metade dos americanos (51%) se mantém neutra em relação a uma possível intervenção militar israelense, enquanto 39% apoiariam a ação e apenas 5% se dizem completamente contra um ataque desse tipo. 

Um dos possíveis alvos de Israel, a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã
AP
Um dos possíveis alvos de Israel, a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã
Em 5 de março, Obama receberá o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para uma reunião bilateral na Casa Branca. O encontro ocorrerá um dia antes da chamada Super Terça, quando 11 Estados americanos, incluindo o Texas e a Geórgia, irão às urnas votar em cáucuses e primárias no processo de escolha do candidato republicano para as eleições. Até lá, os tópicos Irã e armas nucleares deverão continuar não só nas manchetes, mas também nos discursos eleitorais.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.