Maioria dos pré-candidatos republicanos defende guerra contra Irã

Candidatos usam tema para atacar política externa de Obama e atrair votos de conservadores e da comunidade judaica dos EUA

Carolina Cimenti, de Nova York |

Reuters
Favorito Mitt Romney comemora vitória em primárias no dia 29. Republicano usa Irã para criticar política externa de Obama
Enquanto a Agência de Energia Atômica (IAEA) confirma em relatórios que o Irã continua ampliando seu programa nuclear , e Israel dá indicações de que estuda atacar o país persa para evitar que produza uma bomba atômica, os pré-candidatos republicanos usam o tema para conquistar votos, principalmente das comunidades conservadoras e judaica nos Estados Unidos.

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O Irã tem sido o tópico de relações exteriores mais comentado em discursos e nos debates dos pré-candidatos. E entre os quatro republicanos concorrendo à nomeação para enfrentar o presidente Barack Obama nas eleiçõe s de novembro , apenas um, Ron Paul, não defende que o país entre em guerra contra o Irã o mais rapidamente possível.

O favorito Mitt Romney disse na última semana que “as ambições nucleares do Irã são a maior falha do atual presidente”. Ele também afirmou que o governo não está fazendo “todo o necessário para dissuadir o Irã”. Rick Santorum acusou Obama de ser ingênuo e inexperiente nesse tema. Já Newt Gingrich foi mais longe, dizendo que apoia o direito de Israel de “realizar uma operação militar dramática para interromper ou atrasar o sistema nuclear Iraniano”.

Em um debate no Arizona no dia 22, os três candidatos concordaram que é melhor iniciar uma guerra agora do que correr o risco de o Irã desenvolver uma bomba atômica. Ron Paul foi o único candidato contrário. “Se queremos diminuir a dívida pública, não podemos declarar mais uma guerra. Além disso, o Irã pode ser um novo Iraque, onde os militares nunca encontraram armas de destruição em massa”, declarou.

Além do fator econômico e das marcas deixadas pelo fiasco no Iraque, os Estados Unidos também enfrentariam outro problema caso decidissem declarar guerra contra o Irã neste momento. Como grande parte da produção nuclear do país é feita dentro de montanhas ou a 9.144 metros abaixo da terra, o alcance dos bombardeios seria limitado.

Ainda lutando no Afeganistão , e tendo apenas deixado o Iraque em dezembro , o Exército e a sociedade americana não estão prontos para mais uma guerra. “Esse é o problema de lutar muitas guerras ao mesmo tempo. O Exército e a economia do país ficam debilitados”, disse ao iG o analista Scott Johnson, da consultoria de segurança IHS.

Mesmo assim, de acordo com uma pesquisa recente do Pew Research Center, quase 60% da população americana concordam que é fundamental bloquear o Irã antes que o país consiga produzir armas atômicas, mesmo que sejam necessárias ações militares.

Somente 30% são contrários ao início de uma guerra americana contra o país. Mais de metade dos americanos (51%) se mantém neutra em relação a uma possível intervenção militar israelense, enquanto 39% apoiariam a ação e apenas 5% se dizem completamente contra um ataque desse tipo. 

AP
Um dos possíveis alvos de Israel, a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã
Em 5 de março, Obama receberá o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para uma reunião bilateral na Casa Branca. O encontro ocorrerá um dia antes da chamada Super Terça, quando 11 Estados americanos, incluindo o Texas e a Geórgia, irão às urnas votar em cáucuses e primárias no processo de escolha do candidato republicano para as eleições. Até lá, os tópicos Irã e armas nucleares deverão continuar não só nas manchetes, mas também nos discursos eleitorais.

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