Maioria de casos de aids na América Latina é entre mulheres

Londres, 9 set (EFE).- Os novos casos de infecção pelo vírus da aids na região da América Latina afetam mais as mulheres, segundo conclusões da conferência Aids e HIV no Brasil e Caribe Realizada hoje na Canning House de Londres, o evento contou com a participação de cinco especialistas sobre a situação da epidemia nesta região, incluindo o diretor do Centro Internacional de Cooperação Técnica do Ministério da Saúde do Brasil, Carlos Passarelli.

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Além de crescer entre a população feminina latino-americana, a epidemia continua aumentando nos seguintes grupos: transexuais, viciados em drogas injetáveis, crianças órfãs ou vulneráveis, homens homossexuais, prostitutas e garotos de programa.

O aumento desta epidemia entre as mulheres se deve, sobretudo, porque são vítimas de relações desiguais com os homens, que terminam impondo que o ato sexual aconteça sem proteção. Outra queixa feita durante a conferência é a falta de verbas específicas para esse grupo e do pouco interesse internacional quanto à América Latina.

Passarelli denunciou que essa é uma "região esquecida pela ajuda internacional" e que não recebe muito dinheiro para a luta contra a aids.

Ele explicou a fórmula do sucesso do programa brasileiro contra o vírus e destacou a vontade do Brasil de colaborar com outros países em vias em desenvolvimento.

O Brasil conseguiu desde 1996 um aumento da prevenção e do uso de preservativo, a estabilização da porcentagem de infectados, a diminuição de contagio entre homens homossexuais e viciados em drogas, a redução da mortalidade e o acesso universal aos tratamentos anti-retrovirais.

Passarelli ressaltou que o Brasil tem tecnologia para fabricar tratamentos de segunda linha, que são mais caros, mas que as patentes farmacêuticas o impede.

O especialista informou que a melhora de um tratamento não significa inovação e que, por isso, não deveriam existir patentes que impedissem uma melhor luta contra a doença.

Por último, assegurou que os países em desenvolvimento têm que tornar "visível o invisível", em referência aos grupos marginalizados por terem contraído a doença, e que é necessária uma "arquitetura global" para poder oferecer respostas locais contra a epidemia. EFE vmg/bm/rr

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