Maioria das vítimas de distúrbios na China é de uigures, segundo exilados

Pequim, 21 jul (EFE).- Grupos uigures no exílio denunciaram que o Governo chinês está maquiando o que aconteceu durante os distúrbios do último dia 5 no oeste da China entre sua etnia, de origem turca e de religião muçulmana, e a chinesa, e garantem que a maioria das vítimas pertence ao primeiro grupo.

EFE |

A líder do Congresso Mundial Uigur, Rebiya Kadeer, é acusada pelo Governo chinês de ter provocado os protestos nos quais morreram 197 pessoas e outras 1.721 ficaram feridas. Ela disse em comunicado que essa versão dos fatos é parcial, e que o número de mortos só corresponde aos chineses, sem incluir os uigures.

Segundo testemunhas dos distúrbios mencionados por Kadeer, o protesto começou de forma pacífica, mas foi sufocado por forças policiais e do Exército, além de policiais à paisana, que começaram a incitar os manifestantes, alguns dos quais de fato atacaram e mataram transeuntes.

"Os uigures mataram e feriram chineses da etnia Han (majoritária no país) com ataques violentos. Eu gostaria dizer que condeno a violência que ocorreu em Urumqi", cidade dos protestos, afirmou Kadeer.

Diante desta resposta, os soldados chineses começaram a "agredir e prender os manifestantes e, aproveitando a escuridão da noite, começaram a atirar contra eles".

Testemunhas daquela noite relatam que disparos e explosões podiam ser ouvidos. Um manifestante da Universidade de Xinjiang que entrou em contato com o Congresso Mundial Uigur, sediado na Alemanha, relatou que pelo menos 50 uigures foram mortos a tiros por policiais.

As autoridades chinesas reconheceram esta semana que atiraram contra "12 agitadores" em Urumqi.

Uma testemunha que possui contatos na Polícia disse à Agência Efe em Urumqi que, de fato, o número de mortos divulgado pelas autoridades chinesas corresponde apenas à etnia Han, enquanto que 520 uigures teriam sido mortos.

O Congresso Mundial Uigur assinalou que, segundo suas fontes, o número total de mortos chega a 800, o que transformaria os distúrbios ocorridos na região de Xinjiang na pior crise sob o poder Partido Comunista da China desde o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989.

Além disso, as autoridades chinesas mantêm que há 1.434 detidos nos protestos. No entanto, diversas investigações apontam que pelo menos quatro mil uigures foram detidos desde então, e que as prisões da região estão tão cheias que as autoridades estão utilizando armazéns do Exército.

"Tememos que estes detidos enfrentem uma execução sem um julgamento transparente", expressou Kadeer.

O comunicado acrescenta que Pequim está justificando internacionalmente o massacre e as possíveis execuções ao vincular os detidos com cédulas terroristas da Al Qaeda, o que a liderança uigur no exílio desmente.

O grupo uigur denuncia também a censura e os ataques a jornalistas estrangeiros que tentaram investigar o que ocorre no último dia 5, o que foi confirmado pelo Clube de Correspondentes Estrangeiros da China.

Em comunicado emitido hoje, a entidade informou sobre a expulsão de correspondentes da região e de ameaças de morte contra estes profissionais. EFE mz/bba

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