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Maioria acredita que guerra ao terror não enfraqueceu Al-Qaeda, indica pesquisa global

A guerra ao terror empreendida pelo governo dos Estados Unidos não conseguiu atingir seu principal objetivo, o de enfraquecer a rede Al-Qaeda, segundo pessoas entrevistadas em 22 dos 23 países incluídos em uma pesquisa global encomendada pelo Serviço Mundial da BBC. Em média, apenas 22% dos entrevistados acreditam que as ações do governo americano serviram para enfraquecer a rede liderada por Osama Bin Laden.

BBC Brasil |

Para 29% dos pesquisados, a campanha não teve efeitos, e 30% acham que a "guerra ao terror" tornou a Al-Qaeda mais forte.

A pesquisa também aponta que, enquanto na maioria dos países uma imagem negativa da rede extremista é o mais comum (para 61% dos entrevistados, em média), isso não foi verificado no Egito e no Paquistão, ambos países importantes no conflito com a Al-Qaeda.

Nesses países, o número de entrevistados que afirmaram ter uma visão positiva ou opiniões divergentes sobre a rede extremista supera o daqueles que disseram ter uma visão negativa.

No Egito, 40% dos entrevistados disseram ter sentimentos "mistos" em relação à Al-Qaeda, 20% disseram ter uma visão positiva da organização e 35% declararam ter sentimentos negativos.

No Paquistão, 22% afirmaram ter sentimentos divergentes e 19% uma visão positiva. Outros 19% afirmaram ter sentimentos negativos, e 40% dos entrevistados preferiram não responder à pergunta.

"Vencedor"
O Paquistão também foi o país com o maior número de entrevistados (21%) que disseram acreditar que a Al-Qaeda está vencendo o conflito com os Estados Unidos. Outros 24% disseram que nenhum dos lados está vencendo, 11% afirmaram que os Estados Unidos estão ganhando, e 44% não responderam à pergunta.

Na maioria dos países pesquisados, a resposta mais comum foi a de que nenhum dos lados está vencendo o conflito.

Em média, nos 23 países onde a pesquisa foi realizada, apenas 10% acham que a organização de Osama Bin Laden está ganhando, e 22% acham que quem está vencendo são os EUA. Para 47% dos entrevistados, nenhum dos lados está levando vantagem.

No entanto, entrevistados no Quênia, na Nigéria e na Turquia disseram acreditar que os Estados Unidos estão vencendo.

Mesmo nos Estados Unidos, apenas 34% dos pesquisados acreditam que a Al-Qaeda está mais fraca hoje. A maioria dos americanos entrevistados afirmam que a "guerra ao terror" não teve efeito (26%) ou fez a Al-Qaeda mais forte (33%).

Enquanto 56% dos americanos disseram que a guerra não tem vencedor até agora, 31% acreditam que os EUA estão vencendo, e 8% acham que a Al-Qaeda leva vantagem.

Brasil
No Brasil, 52% dos entrevistados afirmaram que nenhum dos lados está vencendo o conflito, 12% disseram que a Al-Qaeda está vencendo e apenas 10% responderam que os Estados Unidos levam vantagem.

A maioria dos brasileiros afirmou que a "guerra ao terror" deixou a Al-Qaeda mais forte (34%) ou que não teve nenhum efeito (28%). Somente 9% dos entrevistados no país disseram que a guerra enfraqueceu a rede extremista.

Segundo a pesquisa, 53% dos brasileiros têm uma visão negativa da Al-Qaeda, 24% têm sentimentos divergentes e apenas 2% afirmam ter uma opinião positiva sobre a rede.

"Apesar do esmagador poder militar dos Estados Unidos, a ampla maioria (dos pesquisados no mundo) acredita que a luta contra a Al-Qaeda não atingiu nada além de um empate e muitos acreditam que pode até ter fortalecido a Al-Qaeda", disse diretor do Programa sobre Atitudes em Política Internacional da Universidade de Maryland (Pipa, na sigla em inglês), Steve Kull.

O presidente da GlobeScan (empresa que realizou o levantamento juntamente com o Pipa), Doug Miller, disse que "o fato de que tanta gente no Egito e no Paquistão tenha sentimentos divergentes ou mesmo positivos em relação à Al-Qaeda é outro indicador de que a guerra dos Estados Unidos contra o terror não está ganhando corações e mentes".

Os pesquisadores entrevistaram 23.937 pessoas em 23 países no período de 8 de julho a 12 de setembro.

No Brasil, a pesquisa foi conduzida pela Market Analysis Brazil em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, no período de 10 de julho a 21 de agosto.

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