De acordo com porta-voz da polícia, embora tenham restado pequenos focos de incêndio, fogo está controlado; 41 pessoas morreram

O maior incêndio da história de Israel, que começou na quinta-feira no norte do país, parece próximo a chegar ao fim neste domingo depois que bombeiros e hidroaviões controlaram os principais focos, revelou a polícia israelense.

"Pela primeira vez em quatro dias podemos dizer que temos o incêndio sob controle, embora tenham restado alguns pontos de menor intensidade e, por isso, devemos ser cautelosos", explicou à Agência Efe o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld.

O comissário de operações dos bombeiros, Boaz Rakia, detalhou que "ter o fogo sob controle" significa que as áreas povoadas do norte que foram evacuadas já não correm mais perigo. No entanto, utilizando o mesmo tom de cautela empregado pela polícia, Rakia advertiu que "o fato de que o fogo esteja contido não significa que não possa se reavivar".

Os principais focos foram extintos graças à colaboração de bombeiros, voluntários e, sobretudo, à ajuda internacional sem a qual, segundo reconheceu o governo israelense, não teria sido possível combater a catástrofe.

A imprensa israelense relatou que as frentes terrestres e os hidroaviões trabalhavam nas últimas horas combatendo dois núcleos pequenos e áreas de grande intensidade, incluindo o subsolo, para evitar que os rescaldos voltem a queimar. Por essa razão, os cerca de 500 bombeiros israelenses apoiados por búlgaros, jordanianos e palestinos continuarão trabalhando no terreno para evitar que as chamas sejam reavivadas.

O fogo causou 41 mortes, obrigou 17 mil israelenses a evacuarem suas casas e revelou a falta de preparo e de logística de Israel para enfrentar uma situação de tamanhas proporções. Entre os meios empregados para extinguir o incêndio foram utilizados 35 aviões, dos quais 24 foram oferecidos por outros países. Entre as aeronaves, a estrela do dia é um gigantesco Boeing 747 convertido em avião de controle de incêndio e alugado de uma empresa americana porque pode transportar 76 mil litros de água (16 vezes a mais do que um avião do tipo convencional), além de estar apto a operar à noite.

Nas últimas horas, além de água, foi borrifado em múltiplas viagens um líquido químico de cor vermelha que evita que as chamas ressurjam e que é altamente tóxico. Por conta disso, a população foi orientada a permanecer em suas casas. Cerca de 20 países enviaram ajuda aérea, equipamentos técnicos e pessoal para participar dos trabalhos de extinção do fogo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo a suspensão da chegada de novas missões internacionais, o que foi interpretado como mais um sinal do fim do desastre. Netanyahu liderou a reunião do Conselho de Ministros na localidade de Tirat Carmel, situada perto do incêndio, onde aprovou um pacote de medidas emergenciais para reabilitar e compensar as comunidades afetadas e inclui 60 milhões de shekels (cerca de R$ 28 milhões) para os distritos municipais locais. O fogo arrasou 5 mil hectares de grande valor ecológico que contavam com 5 milhões de árvores, segundo dados do Fundo Nacional Judeu.

A investigação inicial aponta para um caso de negligência por parte de dois irmãos de 14 e 16 anos do povoado druso de Usfiya, que estão em prisão domiciliar. Enquanto isso, muitos dos moradores que deixaram suas casas começaram a retornar e estão encontrando paisagens dantescas reduzidas a cinzas. Ao longo do domingo, foram realizados dezenas de funerais em todo o país em consequência das 41 vítimas que perderam a vida quando o ônibus no qual viajavam ficou cercado pelas chamas.

Avião usa produto químico contra incêndio em Israel
AFP
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