Maior grupo rebelde da Nigéria anuncia volta dos ataques

Por Austin Ekeinde YENAGOA, Nigéria (Reuters) - O principal grupo rebelde da Nigéria anunciou neste sábado que voltará a atacar o maior pólo industrial da África no próximo mês, ofuscando a entrega de centenas de armas por rebeldes em um programa federal de anistia.

Reuters |

O Movimento pela Emancipação do Delta do Níger (MEDN), responsável por ataques que destruíram parte das operações petrolíferas do membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), afirmou que retomará sua campanha de violência no dia 15 de setembro.

O MEDN, uma ampla coalizão de grupos militantes, denunciou que centenas de rebeldes participaram do programa de anistia do presidente Umaru Yar'Adua, que tem como objetivo interromper a violência no Delta do Níger.

"O atual programa de anistia do governo da Nigéria parece ter separado aqueles que ainda têm o zelo de lutar pela nossa liberdade daqueles que estavam na briga pelo dinheiro," disse o grupo em comunicado.

O MEDN, que declarou um cessar-fogo de 60 dias em julho, para permitir negociações de paz, afirmou que suspendeu as conversas com o governo.

Centenas de militantes nigerianos entregaram neste sábado suas armas, bombas de morteiro e canhoneiras durante uma cerimônia pública em Yenagoa, capital do estado de Bayelsa.

A adesão, feita por dezenas de grupos militantes, foi a maior coleta de armas e munição desde o início do programa de 60 dias do presidente, que começou há duas semanas.

UMA CHANCE PELA PAZ

"Entregamos nossas armas, assim damos uma chance à paz e a todas as empresas de petróleo e outras multinacionais de virem à nossa região e desenvolver a localidade," afirmou Erepamutei Olotu, conhecido como General Ogunbos, durante a cerimônia pública de entrega.

Desde 2006, ataques a oleodutos e instalações das indústrias, além do sequestro de trabalhadores, custaram bilhões de dólares por ano ao oitavo maior exportador de petróleo do mundo, além de acrescentar volatilidade aos preços globais do petróleo.

Na cerimônia, o ex-militante Ebikabowei Victor Ben, conhecido como Boyloaf, deu a uma autoridade do governo seu colete à prova de balas com o logo do MEDN.

"Como presidente do MEDN no estado de Bayelsa, entrego este colete como uma proclamação de que nos desarmamos e cumprimos a nossa palavra. Esperamos que o presidente cumpra a sua palavra e desenvolva o Delta do Níger," afirmou Ben a uma multidão de centenas de pessoas, que incluía ex-militantes e autoridades do governo e de segurança.

Ben alertou que o fracasso no desenvolvimento do Delta do Níger levará a uma retomada da violência. Céticos questionam o programa de anistia, dizendo que ele poderá trazer apenas uma breve bonança na violência.

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