Maior dúvida em eleição alemã é sobre aliados de Merkel no poder

Juan Carlos Verruma. Berlim, 26 set (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, provavelmente vai se reeleger nas eleições legislativas que acontecem amanhã no país, ja que as pesquisas de intenções de voto concedem à governista União Democrata-Cristã (CDU) uma ampla vantagem na disputa.

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A única dúvida em relação ao pleito é sobre o partido que vai se aliar a Merkel: o Democrático-Liberal (FDP), com o qual seria constituída uma coalizão de centro-direita, ou o Social-Democrata (SPD), com quem a chanceler reeditaria a atual aliança.

Na briga pelos votos do eleitorado, a CDU e a União Social-Cristã da Baviera (CDU/CSU) estão em melhor posição: têm 35% da preferência, de acordo com as sondagens. O número é similar ao obtido pelas legendas há quatro anos, quando derrotaram o SPD por alguns décimos.

Os social-democratas, por sua vez, perderam espaço e estão dez pontos atrás da CDU. Por conta disso, o partido pode ter o pior desempenho eleitoral de sua história, embora os analistas acreditem que o SPD vá reconquistar muitos votos até a eleição.

Os grandes vencedores do pleito, portanto, deverão ser os liberais do FDP, que, caso confirmem os 14% das pesquisas, voltarão ao poder após 11 anos, para reeditar a aliança que, durante outros 16, governou sob as ordens do democrata-cristão Helmut Kohl.

A CDU, à qual pertence Merkel, e o FDP, comandado por Guido Westerwelle, já manifestaram em público o desejo de se unirem para formar um Governo.

No último domingo, os liberais deram um novo passo rumo ao poder.

Disseram que só se aliam à chanceler e que, se não conseguirem votos suficientes para uma coalizão, vão continuar fazendo oposição.

Merkel, porém, tem ainda como opção relançar a aliança que há quatro anos governa a Alemanha. Em público, CDU e SPD negam esta possibilidade, mas setores de ambas as legendas não cansam de ressaltar os sucessos de quatro anos de trabalho conjunto.

Uma prova de que os dois partidos não descartam, por força das circunstâncias, relançar a parceria foi a campanha de seus respectivos líderes, a chanceler Merkel e seu rival direto, o vice-chanceler Frank Walter Steinmeier.

O tempo todo os dois evitaram desqualificações mútuas. E o único debate televisivo entre Merkel e Steinmeier foi tão sem graça e frio que, no dia seguinte, o jornal "Bild" estampou na capa: "Para bocejar...".

Estrategicamente, os social-democratas defendem uma eventual aliança com os Verdes, que têm 10% dos votos, e os liberais. Como o FDP já descartou esta hipótese, sobraram apenas os ecopacifistas.

Estes, por sua vez, já disseram que não formam Governo com a CDU nem com uma aliança em que os liberais não tenham maioria suficiente para governar.

Quase esquecido nessa briga está o Partido A Esquerda, também com 10% das intenções de voto e que agrupa social-democratas dissidentes e os pós-comunistas da extinta Alemanha Oriental.

Apesar de o SPD e os esquerdistas já governarem juntos em alguns estados, como acontece na cidade-estado de Berlim, os social-democratas não cogitam uma coalizão entre ambos em nível federal.

Esse posicionamento inviabiliza uma aliança das duas legendas com os Verdes, que seria uma alternativa de esquerda à coalizão CDU-FDP.

Na paleta de cores do cenário político alemão, as alianças mais prováveis, de acordo com as sondagens e os analistas, são entre o preto da CDU/CSU e o amarelo do FDP, ou entre o preto da CDU/CSU e o vermelho do SPD.

Devido à rejeição dos liberais, têm poucas chances de se materializar a "coalizão semáforo", que juntaria SPD, FDP e Verdes, e a "coalizão Jamaica" (CDU/CSU, FDP e Verdes). EFE jcb/sc

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