Maior acelerador de partículas do mundo é inaugurado sem funcionar

Virgínia Hebrero. Genebra, 21 out (EFE).- A Organização Européia para a Pesquisa Nuclear (Cern) inaugurou hoje oficialmente o Grande Colisor de Hádrons (LHC), maior acelerador de partículas do mundo, apesar do problema que o manterá parado até abril de 2009.

EFE |

Diretores do Cern e representantes de países-membros da entidade minimizaram o contratempo no LHC e disseram que isso não muda as grandes perspectivas abertas com este projeto, que custou 4 bilhões de euros e com o qual os cientistas pretendem desentranhar os mistérios do Universo.

"O LHC é um projeto audaz, que precisou de mais de 20 anos de planejamento e nos permitirá pesquisar 96% do Universo que nos é desconhecido, e embora haja uma festa hoje, não posso negar que estou decepcionado com o incidente, que obrigou a paralisação da máquina", disse o diretor-geral do Cern, Robert Aymar, na inauguração.

Após agradecer aos países-membros por seus esforços e contribuições, Aymar afirmou que o Cern tem "a equipe e os meios para consertá-lo e para garantir que algo assim não volte a acontecer".

Aproximadamente 1,5 mil convidados compareceram à inauguração, mas apenas a Suíça esteve representada por seu chefe de Estado, Pascal Couchepin, enquanto a França - o outro país em cujo território se estende o LHC - enviou seu primeiro-ministro, François Fillon, que expressou o total apoio de Paris ao projeto.

"Anos atrás, alguns chamavam o projeto do acelerador de um sonho irrealizável, mas hoje ele existe e é espetacular... Entramos em uma etapa decisiva e fantástica... E não é surpreendente que haja imprevistos técnicos. É preciso aceitá-los e se deve superá-lo, mas a confiança de meu Governo no projeto é total", afirmou Fillon.

Para o primeiro-ministro francês, assim como a crise financeira mundial é um exemplo ruim da globalização, o trabalho do Cern é o da colaboração internacional na busca dos mistérios da matéria.

Os demais países europeus membros do Cern enviaram seus ministros de Ciência e vice-ministros, assim como outros Estados que participaram do projeto.

O defeito que mantém o LHC parado foi detectado apenas dez dias após começar a funcionar, em 10 de setembro, quando os cientistas do Cern conseguiram fazer com que o primeiro feixe de prótons circulasse e desse uma volta completa pelo gigantesco túnel de 27 quilômetros de circunferência do acelerador, sob a fronteira entre França e Suíça.

O problema consistiu em um grande vazamento de gás hélio no setor 3-4 do túnel, e após as investigações do Cern, "foi confirmado que se deveu a uma ligação elétrica defeituosa entre dois ímãs do acelerador".

Os trabalhos de conserto requerem meses, já que a complexidade da máquina obrigou a aquecê-la dos 271 graus Celsius abaixo de zero para a temperatura ambiente e depois ser resfriada para que os prótons possam circular e colidirem à velocidade da luz.

"Quando você compra um carro de Fórmula 1, você passa um tempo colocando o carro no ponto, mas como pusemos para funcionar antes de o carro estar no ponto, não nos surpreende que tenhamos problemas, isso era esperado, mas nós resolveremos", disse à Agência Efe o físico Álvaro de Rújula.

O lado mais lúdico da cerimônia foi o concerto audiovisual "Origins", com música de Philip Glass e interpretada pela Orchestre de la Suisse Romande, e o buffet de "gastronomia molecular", servido pelo cozinheiro italiano Ettore Bocchia e que combina a alta gastronomia e a ciência física.

O chef catalão Ferran Adrià fez o café servido após o jantar, com seu inovador Èspesso, criado para uma famosa marca de café italiana e que é o único café que se toma com colher por causa de sua textura sólida. EFE vh/wr/jp

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