Ramala, 25 nov (EFE).- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou hoje que permanecerá no poder por pelo menos mais um ano, apesar da insistência do Hamas de que em 9 de janeiro conclui seu mandato.

Abbas renovou sua intenção de continuar ostentando a chefia da ANP até que sejam realizados de forma simultânea pleitos presidenciais e legislativos em 2010.

"As eleições presidenciais e parlamentares serão realizadas na Faixa de Gaza e Cisjordânia e o vencedor governará", declarou durante uma reunião do Governo palestino na cidade de Ramala, capital administrativa da Cisjordânia.

Já o Hamas, que governa a Faixa de Gaza de fato, afirmou que só aceitará a convocação de eleições presidenciais quando concluir o mandato de Abbas em janeiro de 2009.

Entretanto, o líder palestino e o Fatah consideram que os pleitos presidencial e legislativo devem acontecer de forma paralela quando acabar o mandato de Parlamento palestino controlado pelo Hamas, em janeiro de 2010.

O grupo islâmico, liderado em Gaza pelo deposto primeiro-ministro Ismail Haniyeh, rejeita plenamente a convocação de pleito conjunto e afirma que a partir de janeiro deixará de considerar Abbas como presidente legal da ANP, pois a Lei Básica palestina estabelece apenas quatro anos de mandato presidencial.

As eleições presidenciais nos territórios ocupados deveriam acontecer quando terminar o período legal da Presidência de Abbas, eleito por voto popular em 2005 após a morte de Yasser Arafat.

Antes da vitória do Hamas nas eleições legislativas de janeiro de 2006, o Parlamento palestino aprovou uma emenda - não ratificada - à Lei Básica para que os próximos pleitos legislativos e presidenciais sejam realizados de forma conjunta em 2010, apesar de anteriormente terem acontecido com um ano de diferença.

Após obter a maioria parlamentar, o Hamas anulou a parte da emenda que pede a realização das duas consultas na mesma data.

Esta diversidade de opiniões aumentou a tensão entre Hamas e Fatah, ao se aproximar a data na qual Abbas deveria abandonar o cargo.

No início deste mês, o Hamas recusou no último momento comparecer a um grande encontro previsto no Egito para conseguir a reconciliação entre as diferentes facções palestinas.

Entretanto, Abbas, que apoiou várias iniciativas para a reconciliação com o Hamas com base na realização de eleições, disse que estas "deverão ser realizadas finalmente e eles (Hamas) terão que entendê-lo". EFE sa'ar/fal

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