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Magrebe chega dividido à cúpula mediterrânea de Paris

Javier Alonso Martínez Rabat, 12 jul (EFE).- Diferenças políticas e rivalidades históricas entre os países do Magrebe afetam a percepção das possibilidades de sucesso da União pelo Mediterrâneo (UPM), bloco que amanhã realiza sua primeira cúpula, em Paris.

EFE |

A Cúpula da UPM tem como objetivo dotar de programas concretos a cooperação entre a União Européia (UE) e os países próximos ao mar Mediterrâneo.

Mas, como demonstra a já anunciada ausência no encontro do líder líbio, Muammar Kadafi, a confirmação deixada para a última hora da presença do argelino Abdelaziz Bouteflika e a incerteza sobre o nível de representação marroquina na capital francesa, o projeto suscita reações longe de serem entusiastas.

Estarão representados na Cúpula da UPM os 27 Estados-membros da UE e são aguardados os líderes de Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Egito, Líbano e Síria. Liderará a comitiva israelense o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e a da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, seu presidente.

Há um mês, Kadafi classificou a UPM como uma "afronta" aos países árabes, e disse que sua idéia é "passageira e momentânea", e que pode ainda "atentar contra a unidade" dos países árabes e africanos.

O líder líbio disse que os projetos econômicos propostos dentro da UPM, grande projeto do mandato francês à frente da UE, são uma "espécie de humilhação" para os países árabes. "Nós não somos nem famintos, nem cachorros para que nos joguem ossos", acrescentou.

Também não agradam à Argélia, Líbia e Mauritânia a idéia de dividir a mesma mesa com Israel sem obter do Estado judeu concessões nas negociações de paz com os palestinos e com a Síria.

O ministro de Assuntos Exteriores argelino, Murad Medelci, chegou até a pedir que em Paris fosse exigida por escrito a retirada de todos os territórios ocupados desde 1967.

No Marrocos, as autoridades advertiram, por sua vez, que a solução para o conflito entre israelenses e palestinos poderia preparar o terreno para o desenvolvimento de projetos específicos de cooperação com a UE.

"Se não houver a criação de um Estado palestino, o processo (UPM) não estará isento de falhas, porque as mesmas causas que levaram ao fracasso do Processo de Barcelona seguirão presentes", assegura à Agência Efe Abdelhak Azzouzi, presidente do Centro Interdisciplinar Marroquino de Estudos Estratégicos e Internacionais (CMIESI).

O Processo de Barcelona, elaborado em 1995, é considerado o embrião da UPM.

"A criação de um Estado palestino é condição essencial para o sucesso da UPM", completa Azzouzi.

Na opinião do especialista, os países do Magrebe chegam à cúpula de Paris sem que haja "um ponto de vista em comum" entre eles.

"Cada Estado representará seus próprios interesses", observa Azzouzi, ressaltando que "a União do Magrebe Árabe (UMA, bloco fundado no fim da década de 1980) agoniza devido a problemas políticos entre os países que a formam", em referência a Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Mauritânia.

Um dos problemas políticos citados por Azzouzi afeta os peso-pesados regionais Argélia e Marrocos, que se desentendem há décadas pelo conflito não resolvido do Saara Ocidental, estagnado apesar da recente reabertura de canais de diálogo sob a mediação da ONU. EFE jam/fr/mh

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