Máfia: começa na Itália processo sobre matança de Duisburgo

O processo contra 14 mafiosos julgados por uma sangrenta vendetta, entre eles o principal suspeito foragido da matança de Duisburgo, na Alemanha, que deixou seis mortos em 2007, foi aberto nesta quarta-feira, na Corte de Locri, na Calábria (sul da Itália).

AFP |

Pelo menos 43 pessoas já foram julgadas pelos mesmos fatos desde 20 de outubro, em um processo que corre a portas fechadas, no tribunal de Reggio, na Calábria.

Os 14 réus, incluindo uma mulher, que estão em julgamento nesta quarta, em Locri, têm idades entre 20 e 68 anos. Três dos suspeitos estão sendo julgados à revelia.

Eles deverão responder, sobretudo, por "homicídios, formação de quadrilha mafiosa na Itália e na Alemanha, tráfico de armas e de entorpecentes, posse de armas de guerra e de explosivos com fins de controle do território", segundo a nota judicial.

Essas 14 pessoas são acusadas de terem participado de uma vingança que dilacerou as duas famílias mafiosas Vottari-Pelle e Strangio-Nirta, da pequena cidade calabresa de San Luca, deixando vários mortos desde 1991.

"Começamos esta manhã, com a constituição das partes civis. Alguns acusados estavam presentes na audiência, outros acompanharam-na de sua cela, graças a um sistema de videoconferência", declarou à AFP o procurador antimáfia Nicola Gratteri, no intervalo da sessão.

"O processo deve durar mais de um ano, porque há mais de 150 testemunhas", acrescentou.

A "faida" (institucionalizado nas tribos germânicas, era o direito do ofendido e de seus descendentes de se vingarem do ofensor, ou seja, um acerto de contas que poderia durar anos) de San Luca estaria na origem da matança de Duisburgo (oeste da Alemanha), no qual seis italianos, entre os quais cinco originários dessa pequena cidade de 4.000 habitantes, teriam sido abatidos em uma pizzaria em agosto de 2007.

Os investigadores italianos e alemães estimam que esse homicídio coletivo seria a resposta ao assassinato, no Natal de 2006, de Maria Strangio, mulher de Giovanni Nirta, chefe de um dos dois clãs.

A investigação da procuradoria de Reggio, Calábria, sobre a "vendetta" que liga esses clãs mafiosos - que começou um ano antes da matança de Duisburgo - abriu caminho, no verão passado, para que 57 pessoas fossem levadas à Justiça. Dessas, 43 já estão sendo julgadas desde 20 de outubro, no tribunal de Reggio de Calábria.

A chacina em Duisburgo pôs os holofotes do mundo inteiro na guerra sangrenta de San Luca e revelou a escalada do poder da 'Ndrangheta, a máfia calabresa, estendendo-se além das fronteiras italianas.

Quinze dias depois dos homicídios, uma ampla batida policial levou a dezenas de detenções em San Luca e nessa região.

Desde então, a polícia tem feito, regularmente, operações certeiras nos dois clãs, sem nunca conseguir, porém, colocar as mãos em Giovanni Strangio, de 29 anos, parente de Maria Strangio, a vítima do Natal de 2006. Ele é considerado o principal suspeito no caso Duisburgo e ainda está foragido.

O Instituto italiano Eurispes estimou que o número de negócios da 'Ndrangheta - ativa no tráfico de drogas, de armas, prostituição e extorsão - chegou a 44 bilhões de euros em 2007, o equivalente a 2,9% do PIB italiano.

kd-pho/tt

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