Mães de soldados britânicos mortos no Iraque perdem disputa judicial

Londres, 9 abr (EFE).- As mães de dois soldados britânicos mortos no Iraque perderam hoje a disputa legal que realizavam para forçar o Governo do trabalhista Gordon Brown a abrir uma investigação sobre a intervenção armada do Reino Unido no país árabe.

EFE |

Nove juízes da Câmara dos Lordes, instância máxima judicial britânica, rejeitaram hoje um recurso apresentado por Beverley Clarke e Rose Gentle - mães dos militares David Clarke e Gordon Gentle - contra uma decisão do Tribunal de Apelação, que em 2006 considerou que a Administração britânica não seria obrigada a iniciar uma investigação sobre o conflito.

As mães argumentam que Governo anterior, do também trabalhista Tony Blair, não cumpriu com sua obrigação de assegurar que a invasão de 2003 era legal e tinha uma justificativa pertinente.

Segundo elas, o Governo, em virtude da Convenção Européia dos Direitos Humanos, tem o dever de proteger a vida humana, o que se aplica também aos soldados, e por esta razão deve apresentar um argumento legal necessário antes de se comprometer uma intervenção armada.

Desta forma as famílias consideram que, caso o Governo tivesse cumprido o dever legal antes de invadir Iraque, a guerra e a morte dos dois soldados britânicos poderiam ser evitadas.

As mães questionam como foi possível que o parecer "equívoco" dado em 2003 pelo então procurador-geral Lorde Goldsmith em treze folhas foi reduzido em poucos dias a um "inequívoco" de apenas uma folha, que diz que a intervenção militar foi legal.

David Clarke, de 19 anos, morreu em março de 2003 por "fogo amigo" em um enfrentamento no oeste de Basra (sul do Iraque), enquanto Gordon Gentle, de 19, perdeu a vida na mesma cidade em 2004 após um ataque a bomba em uma estrada.

Ao justificar a rejeição do recurso os juízes disseram que os que trabalham nos "serviços de emergência arriscam a vida em nosso nome para proteger outros. Os que servem nas forças armadas fazem isto sabendo que podem ser chamados para arriscar a vida em defesa de seu país".

Após saber da decisão judicial, Rose Gentle afirmou à imprensa britânica que sua batalha legal "está encerrada". EFE vg/rr/fal

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